DAAE, especialistas falam sobre rompimentos e novo projeto de reservatório

DAAE, especialistas falam sobre rompimentos e novo projeto de reservatório

O reservatório da Vila Xavier, em frente ao Sesi, que se rompeu em novembro do ano passado e terminou com a morte de duas pessoas, já estava no limite da sua vida útil

Além disso, sem orçamento para a construção de novo espaço já orçado a partir de R$ 1,5 milhão, o Daae avaliou os laudos técnicos e optou por trabalhar com carga reduzida acreditando ser seguro. A informação foi passada por um dos três especialistas da autarquia, nesta sexta-feira, dia 12, durante seis horas de depoimentos, à Comissão Especial de Inquérito (CEI) do Daae, criada pela Câmara Municipal de Araraquara.

Gerente de projetos e planejamento estratégico do Daae, Wiliam Maréga, disse que anualmente quando os reservatórios são esvaziados eles passam por vistoria visual. Sobre a caixa d’água da Vila Xavier, em frente ao Sesi, o gerente explica que, em 1 de março de 2014, uma das duas células-irmãs do reservatório se rompeu. Após o acidente, foram pedidos laudos

técnicos a Falcão Bauer, que contratou o engenheiro civil Fausto Favale, da Empresa Favale Associados, e a Roberto Chust Carvalho, autor do projeto do reservatório há 28 anos.

Nos laudos, os engenheiros recomendavam a vistoria visual e a carga reduzida. Um deles também sugeriu o abandono devido as dificuldades e o alto custo para a reforma. O outro indicou que para trabalhar com o volume total seria necessário travá-lo inteiro com tirantes. Caso contrário, a opção seria uso com carga reduzida e carregamento lento de água. Por isso, como visualmente essa caixa irmã (que se rompeu em 2015) não apresentava problemas estruturais visuais, o Daae optou por utilizá-la com volume reduzido e iniciar os estudos da construção de um novo reservatório.

O tempo estimado entre projeto, construção e operação pode chegar a um ano e meio. Existem duas opções para as novas construções. Um reservatório com capacidade de um milhão de litros pode chegar a R$ 800 mil, caso seja metálico, ou até quase R$ 1,5 milhão caso o reservatório seja de aço vidrado, segundo orçamento de julho de 2014 e excluindo obras auxiliares. A ordem de construção ainda não foi dada, na opinião do gerente de planejamento do Daae, pelo alto valor estimado e também porque a autarquia estuda construí-lo em outro endereço na Vila Xavier, desta vez, próximo ao Tiro de Guerra.

Para o gerente de planejamento, o novo reservatório na Vila Xavier se torna viável porque o antigo que se rompeu chegou a sua vida útil. Durante as visitas externas realizadas antes da fase dos depoimentos, os vereadores da CEI encontraram vazamentos nas juntas de concretagem dos reservatórios do Jardim Martinez e Carmo. O Daae informou que irá sanar o problema. A estimativa é que em 90 a licitação seja aberta. O prazo de execução da obra é de 50 dias. O mesmo procedimento deve ser adotado para reparos em outras caixas.

Já o diretor técnico operacional, Salvador Luis Spoto, falou sobre os rompimentos das duas células do reservatório da Vila Xavier. No acidente em 2014, o caso foi motivado por uma falha humana. A agua subiu, atingiu o limite e se rompeu. Após isso, seguindo as orientações dos laudos técnicos emitidos pelos engenheiros, a autarquia optou pela carga reduzida na segunda caixa d’água e iniciou projetos para obter verba e viabilizar o novo reservatório.

Em meio a esse processo ocorreu o acidente do ano passado. Ele reconheceu que um raio queimou aparelhos no Centro, deixando o sistema no escuro. Sem esse controle do nível de água dos reservatórios, a caixa da Vila encheu sem parar e se rompeu. O Daae só soube do rompimento quando a comunicação da Central voltou e, seguindo o protocolo, um funcionário foi até a caixa d’água em frente ao Sesi para reestabelecer o sinal das antenas repetidoras.

Na sequência dos depoimentos, a CEI ouviu o coordenador de projetos, Alexandre Pierri. Ele entregou cópia da requisição de compras para sondagens, de orçamentos realizados, croquis do projeto de um novo reservatório para substituir aquele rompido no ano passado, entre outros documentos. A analise da caixa d’água da Vila Xavier, assim como as demais, tem vistoria anual, mas a última impermeabilização completa foi em 1996. Depois desse período, sem encontrar nada grave não houve a necessidade de nova impermeabilização.

Ele disse, ainda, que após o acionamento da CEI, o Daae decidiu fazer de forma imediata o tamponamento, uma espécie de vedação das paredes do reservatório da Vila Xavier (aquela caixa suspensa), mas sem risco do corte de água. A medida será adotada para conter a umidade e pequenas fissuras no espaço em frente ao Sesi e em outros bairros.

Na próxima quarta-feira, a CEI ouvirá um parente das vítimas do rompimento do reservatório. No dia seguinte, o depoimento será de Fernando Lourencetti, do Centro de Operações do Daae. Instaurada em 17 de novembro, após o rompimento do reservatório da Vila Xavier, seis dias antes, a CEI da Câmara Municipal tem como presidente o vereador Édio Lopes (PT), o relator William Affonso (PDT) e os demais membros Jair Martineli (PMDB), Farmacêutico Jéferson Yashuda (PSDB) e Juliana Damus (PP). A CEI deve ser concluída até o fim de março.

Câmara Municipal

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Jornalista – Diretor de TV – Editor – Câmera –

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