Internauta denuncia caso de transfobia e racismo em festa de SP

Internauta denuncia caso de transfobia e racismo em festa de SP
Relato viralizou nas redes sociais

07ABR2017|10h26 – Mulher Trans

Uma mulher trans usou as redes sociais para denunciar um caso de transfobia, racismo e gordofobia vividos nesta quarta-feira (5) durante um evento na Cidade Matarazzo.

Segundo Marya De Uma Sonya, tudo começou quando uma segurança do local pediu para que ela e uma amiga não tirassem fotos. Ao sair para a área de fumantes, outros segurança pediu que ela não voltasse ao evento, pois vestia trajes “inadequados”.

“O senhor não pode entrar, recebi ordens para que você vestisse uma roupa”, relatou Marya sobre a fala do segurança.

Em seguida, ela teria explicado “de forma bem didática” que ele deveria usar pronomes femininos. O segurança respondeu, novamente: “O senhor não pode entrar”.

“Em menos de 2 minutos, uma parede de seguranças pretos se formou na minha frente, além do intuito de me intimidar, me mostrar que eu teria que lidar com manos que poderiam até ser da minha quebrada, mas estavam ali pra servir e cumprir ordens. Foi uma discussão de quase uma hora, me justificando que eu deveria entrar apenas pra pegar minhas coisas e sair”, escreveu na publicação.

Na denúncia, ela diz que continuou sendo chamada de senhor. “Não me lembro de ter me sentido tão mal e exposta quanto fui hoje, mesmo lindando com com essa galera quase toda semana. uma das organizadoras chegou para “apaziguar” dizendo que eu era convidad_O_ dela, também me tratando no masculino sem nenhuma delicadeza de saber, até então, como eu estava me sentindo com tudo aquilo”, conta.

No fim do relato, a internauta deixa claro que não pretende a aprovação da organização do evento, mas que apenas não queria ficar quieta. “Não lembro de ter chorado tanto quanto hoje, sinto vergonha de mim. mas essa vergonha é por ter sido diminuída como existência e principalmente de ser trans, negra, gorda e periférica”, relata.

Embora no começo do relato a usuária diga que a festa pertencia ao evento SP-Arte, organizadores se defenderam em um post nesta quinta (6), alegando que a festa na Casa Matarazzo não tinha qualquer relação com a organização da feira de arte.

“Gostaríamos, ainda, de declarar que a SP-Arte repudia qualquer tipo de ato transfóbico, gordofóbico, racista ou que represente desrespeito de qualquer natureza, e reafirma que o acesso e a presença no evento são abertos para qualquer indivíduo que adquira seu ingresso, ou que seja convidado de nossos parceiros”, diz a publicação.

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Jornalista - Diretor de TV - Editor - Câmera -

Beto Fortunato

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