Um futuro com homens e máquinas cada vez mais próximos

Um futuro com homens e máquinas cada vez mais próximos
Segundo a Gartner, mais um milhão de novos dispositivos serão conectados à internet a cada hora já a partir de 2020

7:52 |Folha Inova/ID News |2018AGO10| - Foto: ©Folha Inova

Já pensou no que o futuro nos reserva? E em como nossa vida vai mudar, seja em casa, na rua ou no trabalho, nos próximos anos? São muitas possibilidades, não é? Mas, com certeza, todas elas envolvem a inovação. Afinal, a tecnologia está cada vez mais presente na vida das pessoas. Para ter uma ideia, já há cinco bilhões de smartphones no mundo e o número de dispositivos conectados à internetdeve subir para 50 bilhões em 2020.

Isto significa que, em apenas dois anos, cada habitante do globo terá mais de seis conexões com o mundo virtual. E este número vai continuar crescendo. Segundo a Gartner, mais um milhão de novos dispositivos serão conectados à internet a cada hora já a partir de 2020. Por isso, a tendência é que homens e máquinas tenham uma relação cada vez mais próxima no futuro.

“A sociedade está prestes a entrar em uma nova fase, caracterizada por uma maior eficiência. Nós estamos no apogeu da próxima era de parcerias homem-máquina”, sentencia o estudo ‘Realizing 2030’ da Dell Technologies, confirmando o que o fundador e presidente executivo do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, já havia anunciado em 2016. “Estamos a bordo de uma revolução tecnológicaque transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos”, disse, à época, o economista alemão, que batizou este movimento de “A Quarta Revolução Industrial”. “A velocidade dos avanços atuais não tem precedentes na história e está interferindo quase todas as indústrias de todos os países”, argumentava Schwab.

Gerente de consultoria e pesquisa da IDC Brasil, Pietro Delai diz que o termo criado por Shwab faz sentido porque, apesar de fazer parte da vida das pessoas há séculos, a inovação nunca evoluiu tão rapidamente quanto hoje. “As primeiras tecnologias levaram décadas ou séculos para alcançarem toda a população. Hoje, por sua vez, uma nova tecnologia é distribuída em questão de meses”, diz Delai. “O que estamos vendo é a maturação da tecnologia; ou seja, a chegada em patamares únicos de produtividade e viabilidade socioeconômica”, reforça o presidente do Conselho de Administração do Porto Digital, Silvio Meira.

É por isso que a Dell afirma que “nós temos trabalhado e vivido ao lado de máquinas durante séculos; mas, em 2030, essas parcerias vão se tornar mais profundas, mais ricas e mais envolventes do que nunca, ajudando-nos a superar nossas próprias limitações”. “As pessoas vão desenvolver novas e mais profundas relações e dependências com as máquinas, em casa e no local de trabalho. E as máquinas, alimentadas pelo aumento exponencial da capacidade de processamento de dados e pela conectividade, abrirão novas possibilidades para o ser humano”, acrescenta a pesquisa da Dell, dizendo ainda que “a tecnologia vai funcionar como uma extensão das pessoas, ajudando a orquestrar, gerenciar e automatizar muitas atividades do dia a dia”. A empresa ainda diz que, se bem programados, os robôs poderão funcionar por até 30 dias sem a supervisão de um homem.

“A tecnologia é um dos motores de mudança do futuro”, confirma o futurista do Porto Digital, Jacques Barcia, lembrando que esse futuro já está sendo construído, através da tão falada transformação digital, que tem levado um número cada vez maior de tecnologias, como Inteligência Artificial (AI), Internet das Coisas (IoT), Big Data/Analytics, Blockchain, para o dia a dia humano e empresarial.

“A revolução digital está penetrando toda a sociedade, em todas as suas dimensões, desde a vida produtiva e escolar até à vida social e urbana”, acrescenta o presidente do Porto Digital Francisco Saboya. “E quem não participar desses ambientes inovadores não vai subsistir. Os negócios e os trabalhos das pessoas, por exemplo, serão inteiramente afetados por isso”, alerta Silvio Meira.

É por isso que as empresas têm investido cada vez mais na adoção e no desenvolvimento de soluções inovadoras. De acordo com a IDC Consultoria, os gastos com tecnologias e serviços que possibilitam a transformação digital vai crescer 16,8% neste ano, alcançando a marca de US$ 1,1 trilhão. Até no Brasil, que enfrenta uma das piores crises da sua história e uma série de incertezas políticas, haverá ampliação dos investimentos. A alta só será mais tímida, de 2,2%. Mas este montante deve ficar cada vez maior ao longo do tempo. Para 2021, por exemplo, a consultoria prevê um investimento global de US$ 5,6 trilhões só nas Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs).

A expectativa é, portanto, que esse montante seja usado para facilitar a vida das pessoas, melhorar a experiência dos serviços e reduzir os custos das empresas. “A definição mais simples de inovação é o novo que é útil e que entrega valor para alguém. Ou seja, a novidade tem que responder à necessidade das pessoas”, explica o presidente do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR), Geber Ramalho. “Estamos falando de mecanismos radicais de simplificação da vida e das ações que fazemos na sociedade, seja na escola, no sistema de saúde ou no restaurante”, reforça Silvio Meira.

“Em dez anos, a Inteligência Artificial poderá fazer ações por nós e conosco. Mediadores e assistentes digitais como a Siri deixarão de ser ferramentas para serem colegas e mediadores digitais”, explica Jacques Barcia, dizendo que as pessoas poderão pedir tudo para esses assistentes ou parceiros, desde a temperatura média do dia até a compra do jantar. As geladeiras, por exemplo, podem informar os produtos que estão em falta.

As luzes podem perceber que você ligou a televisão e se adaptar a essa nova fonte de claridade. Já as portas perceberão a sua aproximação e se abrirão por conta própria. Nas cidades, os semáforos também podem se adaptar à quantidade de carros que estão circulando nas ruas, graças à Internet das Coisas. E até o sistema de escrituração de cartórios pode cair na rede, por meio do Blockchain.

Essa simbiose com o mundo digital, porém, gera dúvidas em relação ao futuro do trabalho. É que, ao mesmo tempo em que esperam ser auxiliados pela tecnologia dentro de casa, as pessoas têm medo que essas inovações ocupem o seu lugar no mercado de trabalho. Já se sabe, por exemplo, que soluções de Inteligência Artificial e Big Data podem fazer a análise e a catalogação virtual de dados. Mas os especialistas garantem que o homem não será substituído pelas máquinas. O que vai acontecer é uma reinvenção dos empregosque conhecemos hoje, devido à adoção cada vez maior da tecnologia, que vai tirar do homem tarefas simplórias, permitindo que nosso tempo seja usado em tarefas mais refinadas. A BMC, por exemplo, acredita que que 54% das ocupações que irão existir em 2019 ainda não foram criadas e que 70% das profissões dos nossos filhos serão diferentes das que temos hoje, mas garante que isso não significa que os trabalhadores atuais ficarão sem emprego.

“Com a sociedade cada vez mais digital e conectada em rede, a maior parte das ocupações também terá uma alta carga de tecnologia. Mas não há evidências de que vai faltar trabalho. As economias mais inovativas do mundo, por exemplo, estão cheias de emprego. O que vai mudar, então, são os requisitos e as habilitações exigidas dos trabalhadores”, acredita Saboya, alertando que, por isso, as pessoas precisam se preparar para este novo mundo digital. “Entender como funciona a tecnologia será fundamental na busca por um trabalho, porque existe uma grande chance de que a sua ocupação não seja a mesma daqui a uns anos. Médicos e advogados, por exemplo, podem ganhar níveis adicionais de competitividade com robôs, softwares e a inteligência artificial, mas isso demanda o aprendizado de coisas novas”, acrescenta Silvio Meira, deixando a certeza de que não dá mais para ignorar o avanço da tecnologia.

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Jornalista - Diretor de TV - Editor - Câmera -

Beto Fortunato

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