Cigarros eletrônicos podem não estar livre de nicotina, diz médico

Cigarros eletrônicos podem não estar livre de nicotina, diz médico
As discussões em torno do uso comercial destes produtos no Brasil arrastam-se, pelo menos, desde 2007

9:52 |Cigarro Eletrônico |2018ABR11 

Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) está promovendo uma série de debates sobre a regulamentação (ou liberação para venda comercial) de cigarros eletrônicos e tabaco aquecido. Os produtos são considerados pelos seus fabricantes como “nova forma de fumar” diante das crescentes campanhas mundiais contra o fumo convencional.

As discussões em torno do uso comercial destes produtos no Brasil arrastam-se, pelo menos, desde 2007. Até aqui, não se chegou a qualquer conclusão sobre se estas vendas devem ser liberadas. A razão desta demora é clara segundo o médico Jackson Caiafa, Chefe do Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital dos Servidores do Estado, no Rio de Janeiro, em entrevista à Sputnik Brasil.

“Os conhecimentos científicos sobre o uso de cigarros eletrônicos e tabaco aquecido são muito recentes e os eventuais malefícios que possam causar ainda estão sendo avaliados. Ninguém que fuma cigarros tradicionais vai ter muito problema com o uso desses produtos”, afirmou.

O médico explicou que já foi observado substâncias como estanho e chumbo no cigarro eletrônico.

“No caso específico do cigarro eletrônico, a base dele é a utilização de um mecanismo ou dispositivo que faz a pessoa aspirar um líquido aquecido com vapor que possui substâncias potencialmente lesivas como estanho e chumbo, já identificadas em alguns exemplares. E também há nicotina, que é a substância viciante do cigarro convencional, da mesma forma presente na maioria dos cigarros eletrônicos”, disse.

O Dr. Jackson Caiafa aponta algumas razões médicas pelas quais o uso da nicotina deve ser evitado. Mas isso, para o cirurgião vascular, não deve ser visto como uma liberação quase imediata para o uso de cigarros eletrônicos:

“A nicotina, além de viciante, causa vários outros problemas como lesões vasculares e, no caso das gestantes, a interrupção da gravidez levando ao aborto involuntário. O uso do cigarro eletrônico, aparentemente, pode reduzir esses riscos, mas, repito, ainda não há suficientes evidências científicas de que estas possibilidades estejam comprovadas.”

O cirurgião vascular não está inteiramente convencido de que, ao contrário dos argumentos dos fabricantes, o cigarro eletrônico não seja fabricado com nicotina:

“Se o cigarro eletrônico não contem tabaco, nicotina e alcatrão, como alegam seus fabricantes, ele produzirá menos problemas. Mas boa parte dos cigarros eletrônicos vendidos pelo mundo apresentam alguma presença de nicotina. O líquido vaporizado do cigarro eletrônico possui alguma nicotina justamente para saciar o hábito do fumante do cigarro convencional.”

Em entrevista concedida ao jornal O Globo em novembro de 2017, a farmacêutica-bioquímica Solange Cristina Garcia, Coordenadora do Laboratório de Toxicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explicou as diferenças entre cigarro eletrônico e tabaco aquecido.

Segundo a Professora, o cigarro eletrônico além do vaporizador, possui “apenas nicotina e alguns componentes” enquanto o tabaco aquecido possui mais substâncias, “a maioria nocivas”, por utilizar plantas de tabaco. Como o Dr. Jackson Caiafa, a Dra. Solange Cristina Garcia ressalta que ainda não há estudos científicos suficientes e conclusivos. A bioquímica também ressalta que, na aparência, cigarro eletrônico e tabaco aquecido parecem a mesma coisa mas possuem composições químicas distintas.

No Brasil, a promoção dos “novos produtos do fumo” é defendida por duas das maiores fabricantes mundiais de cigarros: a Souza Cruz (British American Tobacco) quer colocar os cigarros eletrônicos no mercado e a Philip Morris é partidária do tabaco aquecido.

Para o Dr. Jackson Caiafa, a discussão em torno da liberação destes produtos no Brasil ainda vai se estender por mais algum tempo devido aos inúmeros fatores que devem ser levados em conta pela Anvisa:

“Os debates em torno da regulação do comércio de cigarros eletrônicos e tabaco aquecido se arrastam há anos porque não há conhecimento técnico suficiente nem certeza científica dos males que estes produtos causam. Por outro lado, há o risco de se criar uma outra situação grave: por que banir (ou impedir) a venda somente de cigarros eletrônicos e não banir os cigarros convencionais? Sem dúvida que estará criada uma situação estranha.” Com informações da Sputnik News.

About Beto Fortunato
Jornalista - Diretor de TV - Editor -Cinegrafista - MTB: 44493-SP

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