Com vacinação em queda, EUA vão exigir imunização de servidores federais

Com vacinação em queda, EUA vão exigir imunização de servidores federais

Quem não estiver vacinado deverá usar máscara, manter distanciamento e fazer testes regularmente


Com o avanço da variante delta do coronavírus e com o ritmo da vacinação contra a Covid-19 em queda, os Estados Unidos passarão a exigir que os servidores públicos federais estejam imunizados contra a doença, que já matou 610 mil pessoas no país. Quem não estiver vacinado deverá usar máscara, manter distanciamento e fazer testes regularmente.

O anúncio foi feito na tarde desta quinta-feira (29) pela Casa Branca, e chamou atenção porque o governo federal é o maior empregador dos Estados Unidos. Dados de 2017 da agência de recursos humanos do governo americano falam em 1,9 milhão de funcionários públicos federais. O número pode chegar a quase 3,7 milhões quando se inclui funcionários dos correios e trabalhadores terceirizados, segundo números da agência de notícias Reuters.

O governo americano quer ainda pagar US$ 100 para quem for se vacinar, como mais um incentivo para acelerar a imunização no país, anunciou o Departamento do Tesouro americano, “um benefício para impulsionar as taxas de vacinação, proteger comunidades e salvar vidas”, disse o órgão em comunicado.

O estímulo e a obrigatoriedade para servidores públicos vêm em um momento em que o ritmo da vacinação caiu a patamares próximos do que era registrado em janeiro. Após atingir um pico de 4,6 milhões de novas doses aplicadas em apenas um dia, em 10 de abril, a administração de novos imunizantes caiu constantemente e hoje a média diária está em cerca de 600 mil doses.

A queda no ritmo de vacinação frustrou os planos do governo de acelerar a retomada da normalidade. A meta era imunizar 70% da população adulta com pelo menos uma dose até 4 de julho, feriado da independência americana, mas até esta quinta-feira, quase um mês após o plano, a proporção era de 69,4% de adultos vacinados com ao menos uma dose -e 57,2% da população geral.

Entre os que completaram o ciclo de imunização, ou seja, tomaram as duas doses da vacina nos casos em que isso é necessário, a proporção de adultos inteiramente vacinados é para 60,3%, e de 49,4% quando se considera a população em geral.

Em termos de comparação, no Brasil a proporção de vacinados adultos com ao menos uma dose é de 63,3%, e totalmente vacinados é de 24,5%.

Essa dificuldade em ampliar o número de vacinados nos Estados Unidos contrasta com a capacidade do país de adquirir e administrar esses imunizantes. Isso porque os americanos têm menos confiança na vacina: pesquisa do Pew Research Center de fevereiro mostrava que 30% da população do país não pretendia se vacinar -proporção que havia chegado a 49% em setembro do ano anterior.

Para se ter uma ideia, no Brasil a adesão à vacina é de 94%, segundo pesquisa Datafolha, e apenas 5% diz não querer se imunizar.

A queda na velocidade de imunização se tornou motivo de preocupação ainda maior com o avanço da variante delta do coronavírus nos Estados Unidos, mutação mais contagiosa que em pouco tempo se tornou predominante. Em abril, 0,6% dos casos de Covid-19 no país eram causados pela variante delta. Em julho, esse número saltou para 83,2%, segundo dados do CDC (Centro de Controle de Doenças).

A variante delta traz também preocupações econômicas. Dados do governo divulgados nesta quinta mostram que o PIB (Produto Interno Bruto) do país cresceu 6,5% no segundo trimestre, alta inferior aos 8,5% esperados, ainda que recoloque a economia do país em níveis pré-pandemia. Entre os fatores elencados para o crescimento abaixo do esperado estão o ressurgimento da Covid-19 em algumas regiões do país, além da escassez da mão de obra. O Federal Reserve, banco central dos EUA, afirmou que “a trajetória da economia continua a depender do percurso do vírus”.

Com esse cenário, o governo americano já mudou os planos de retomada da vida normal. O país, que foi um dos primeiros a revogar a recomendação do uso de máscara para pessoas já vacinadas, em maio, anunciou na terça (27) que a proteção deveria voltar a ser usada em ambientes fechados em locais de alto risco.

A diretriz também serve para professores e crianças do jardim de infância independentemente da região, e foi tomada após o órgão identificar infecções raras, em que pessoas completamente vacinadas carregam a mesma quantidade de vírus que as que não tomaram a vacina.

Na capital, Washington, as máscaras serão obrigatórias em ambientes internos mesmo para quem estiver vacinado, anunciou nesta quinta a prefeita democrata Muriel Bowser.

| IDNews® | Folhapress | Via NMBR |Brasil

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Jornalista - Diretor de TV - Editor -Cinegrafista - MTB: 44493-SP

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