Dia Mundial da Água: atenção para problemas vinculados à disponibilidade e à acessibilidade ao recurso

Dia Mundial da Água: atenção para problemas vinculados à disponibilidade e à acessibilidade ao recurso

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Professor de Biologia da Uniara fala sobre conscientização em relação ao uso racional da água

IDN/Interior/Araraquara

Neste domingo, 22 de março, é celebrado o Dia Mundial da Água. Para o professor do curso de Biologia da Universidade de Araraquara – Uniara, João Carlos Geraldo, “a comemoração da data, se tiver um sentido de chamar a atenção para os problemas vinculados à disponibilidade e à acessibilidade ao recurso, é sempre válida”.

De maneira sintética, o docente lembra que há países como o Brasil, que dispõem de grandes recursos hídricos, e outros que têm falta crônica ou estão no limite da utilização. “No grupo dos que têm falta, podemos citar parte dos países africanos, a Península Arábica e outras áreas desérticas ou semidesérticas”, relata.

Já em relação ao grupo que faz uso mais restrito e consciente da água, ele menciona como exemplo a Europa, “onde os recursos hídricos são limitados por questões geográficas”. “Só que são países que fazem uso mais racional da água, por serem mais ricos e disporem de recursos econômicos para tratamentos caros de água e esgotos, além de acesso a tecnologias de captação e utilização de águas pluviais. A Alemanha e a Austrália detêm boa tecnologia de estocagem e utilização dessas águas, como vasos sanitários que não utilizam água potável, mas pluvial. Mas ainda são equipamentos caros para países pobres”, observa.

No caso brasileiro, de acordo com o professor, há muito desperdício e má utilização do recurso, “talvez por causa de uma cultura de pouco planejamento ou por haver grande disponibilidade, com exceção à área do semiárido”. “O estado de São Paulo, que detém a maior população do país, está entrando em um estado crítico de abastecimento, mais a maioria da população desconhece a profundidade do problema”, afirma.

Geraldo aponta que não é conhecida, ainda, nenhuma forma de vida que prescinda da água no seu ciclo vital e que, portanto, “é preciso refletir sobre o fato de ela vir a faltar não apenas nas nossas cidades, mas também na produção de alimentos”. “Das atividades produtivas humanas, a agricultura é a que mais gasta água, ao contrário do pensamento corrente de que o maior utilizador seja o ramo industrial. E ambos, mais o uso doméstico, são grandes poluidores, pela descarga de elementos poluidores e, por vezes, altamente tóxicos”, ressalta.

O professor comenta que, em alguns lugares do mundo, já é utilizada água de reuso, “que são os esgotos tratados para atingirem condições de potabilidade e descontaminação”. No entanto, ele coloca que “não basta deixar a água ‘limpa’, mas sim livre de elementos poluentes e patogênicos que possam existir em águas que foram utilizadas para higiene pessoal e doméstica, além de usos industriais”. “Pode haver contaminação e essa água vir a causar problemas de saúde pública”, alerta.

Quando o assunto são projetos que utilizam água do mar para transformá-la em potável, ele destaca que, no Brasil, o caso mais conhecido é o de Fernando de Noronha, no qual é utilizada tecnologia de dessalinização da água fornecida à população. “Há pouca disponibilidade de água no arquipélago e o custo de levá-la do continente é impraticável. Mas é uma água com um custo maior, repassado ao consumidor, obviamente. Penso que haja algumas iniciativas no interior do Nordeste, pela presença de água salobra. Países arábicos também vêm utilizando dessalinizadores há algum tempo. Nunca experimentei água dessalinizada, mas segundo relatos, ela guarda um pouco de sabor residual do sal. Talvez seja necessário um tempo e investimentos para alcançar uma água semelhante à chamada água doce”, reflete.

Como mensagem em relação ao Dia Mundial da Água, o professor retoma o caso brasileiro: “devemos mudar nossa cultura de desperdício e também de utilização poluidora desse precioso recurso. Apesar de haver uma boa legislação sobre o uso dos recursos hídricos, grande parte dos municípios brasileiros ainda não dispõe de tratamento para as águas servidas, seja por falta de políticas públicas que invistam na implantação de infraestrutura de tratamento, seja pela questão de educação da população para o uso mais racional”, finaliza.

Informações sobre o curso de Biologia da Uniara podem ser obtidas no endereço www.uniara.com.br ou pelo telefone 0800 55 65 88.

About Beto Fortunato
Jornalista - Diretor de TV - Editor -Cinegrafista - MTB: 44493-SP

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