Docente da Unesp relata experiências em campos de refugiados

Docente da Unesp relata experiências em campos de refugiados

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Com apoio da ONU, Irineu de Brito treina pessoas para Logística em Operações Humanitárias

IDN/Interior/São José dos Campos

Wnquanto boa parte dos alunos do curso de Engenharia Ambiental da Unesp no câmpus de São José dos Campos desfrutava um descanso das atividades acadêmicas, o professor Irineu de Brito Junior vivenciava um período de férias diferente. Às vésperas de retomar o ano letivo de 2020, o professor da Unesp acaba de retornar do Sudão do Sul, onde pela terceira vez foi ministrar cursos de capacitação em logística para funcionários que atuam em campos de refugiados no país africano.

Docente com formação em engenharia de produção e logística, Irineu se especializou na gestão de riscos e de desastres, e compartilha esse conhecimento na capacitação de equipes locais em conceitos de logística aplicada a operações humanitárias.

“A ideia é levar conhecimento às pessoas que fazem a operação, para que elas façam com que os materiais de ajuda cheguem efetivamente aos beneficiários de maneira mais rápida e com menor custo”, explica o professor.

O professor explica que alguns desses campos no Sudão do Sul chegam a abrigar 6.500 pessoas, mas que já participou de treinamentos em Bangladesh para campos de até 950 mil moradores divididos em mais de 30 subcampos. Muitas vezes são pessoas refugiadas por conflitos étnicos ou políticos na região e que acarretam graves impactos econômicos e sociais. “Existem alguns campos de refugiados no Sudão do Sul em que você já encontra uma terceira geração de pessoas vivendo no campo. São famílias que estão ali há 20 ou 30 anos”, afirma.

A gestão dos campos fica a cargo do World Food Programme (WFP), agência da Organização das Nações Unidas (ONU) responsável pelas operações logísticas de abastecimento nesses campos. Para executar essas operações, a WFP estabelece parcerias com ONGs que executam as atividades localmente.

“Apesar de a equipe do WFP ser extremamente capacitadas, as equipes contratadas pelas ONGs parceiras necessitam de qualificação. É aí que nós entramos. Essas pessoas são, em sua maioria, pessoas locais e carentes de conhecimentos em logística e em operações humanitárias. Além dos treinamentos, visitamos os campos de refugiados, estações de tratamento com o objetivo de publicar artigos científicos sobre o assunto”, explica o professor do câmpus de São José dos Campos. Em janeiro deste ano, por exemplo, dados fornecidos pela ONU e Unicef foram usados em um artigo ainda em avaliação submetido ao Journal of Humanitarian Logistics and Supply Chain Management.

Irineu calcula já ter realizado o treinamento de cerca de 300 pessoas atuando com Logistic Cluster, o departamento da WFP responsável pela logística nos campos de refugiados. Inicialmente, existe uma um treinamento feito por EAD que aborda conceitos operacionais básicos como arrumação e manuseio de materiais em almoxarifado e elaboração da documentação necessária para transporte.

Funcionários de campo de refugiados do Sudão do Sul exibem certificados após treinamento (Crédito: Arquivo pessoal)

“Os treinamentos avançados que nós realizamos envolvem conceitos relativos à cadeia de suprimentos empresarial e humanitária, ferramentas para racionalização dos processos logísticos, apuração e gestão de custos e o efeito chicote em cadeia de suprimentos”, aponta o docente.

O docente começou a trabalhar em logística de desastres em 2010 e colaborou em incidentes decorrentes de tempestades e inundações nos municípios de Cubatão, Itaoca, Jarinus e Atibaia, por exemplo, atuando principalmente na gestão e triagem de doações. O convite para trabalhar com a WFP, da ONU, surgiu enquanto fazia um pós-doutorado na USP, entre 2016 e 2019.

Além de um perfil que pode ser enquadrado na extensão universitária, a atuação do professor nos campos de refugiados também traz retornos para pesquisa, uma vez que em troca dos treinamentos, as equipes da ONU fornecem dados que são aplicados em artigos e projetos de pesquisas. A experiência em campos de refugiados dessa magnitude é transmitida, por exemplo, no curso de Extensão universitária que a Unesp em São José dos Campos realiza em parceria com a Defesa Civil e nas disciplinas oferecidas aos alunos.

Imagens de tendas de mantimentos e estruturas de logística instalados em campos de refugiados visitados pelo professor da Unesp no Sudão do Sul e em Bangladesh (Crédito: Arquivo pessoal)

About Beto Fortunato
Jornalista - Diretor de TV - Editor -Cinegrafista - MTB: 44493-SP

Beto Fortunato

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