Governo avalia que votação da Previdência pode ficar para quinta

Governo avalia que votação da Previdência pode ficar para quinta
Para articuladores do Palácio do Planalto, os deputados oposicionistas devem usar artifícios regimentais

03MAI2017| 15h04 - Previdência

Prevendo um embate duro com a oposição, o governo já estima que a votação da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara pode não ser concluída nesta quarta-feira (3).

Para articuladores do Palácio do Planalto, os deputados oposicionistas devem usar artifícios regimentais, como recursos e longos discursos, para prolongar os debates -o que poderia adiar a votação do texto para quinta-feira (4).

A orientação dada pelo governo à base aliada é evitar “atropelos” e permitir as intervenções da oposição, ao menos nas primeiras horas da sessão. O objetivo é evitar que a condução das discussões seja alvo de questionamentos regimentais e políticos.

Na avaliação do Planalto, o possível atraso de um dia na votação não prejudicaria o cronograma da reforma na Câmara, uma vez que ainda não existe data prevista para que o texto seja levado ao plenário.

Quando a reforma foi enviada ao Congresso, o governo previa celeridade nas discussões na comissão. O Planalto escalou o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) para a presidência do colegiado por acreditar que ele teria pulso firme para interromper debates excessivamente prolongados e limitar recursos da oposição.

As resistências encontradas na aceitação do projeto, até mesmo dentro da base aliada, fez com que o governo fosse obrigado a adotar uma postura mais flexível e aceitar os questionamentos sobre as novas regras propostas para a aposentadoria.

Com o relatório já em discussão na comissão, o Planalto vai trabalhar até o último minuto para conquistar votos favoráveis à reforma no colegiado. O governo quer transmitir ao mercado financeiro e às bancadas aliadas a mensagem de que há compromisso robusto a favor do projeto, com potencial de se repetir no plenário.

A decisão do Planalto de apelar para a substituição de integrantes da comissão contrários à reforma é parte dessa estratégia. Articuladores de Michel Temer querem chegar o mais perto possível da totalidade de votos “sim” entre integrantes de partidos governistas.

A projeção do governo, por enquanto, parte de 23 votos favoráveis ao relatório, o que representaria 60% dos 37 integrantes da comissão. Esse percentual é o mesmo que será necessário para aprovar o texto no plenário.

PERSPECTIVA

Aprovado no colegiado, o relatório só pode ser alterado por emendas em plenário. Por isso, a ideia do governo é aprovar o texto -aliados estimam ter 23 votos a favor na comissão- e esperar mais alguns dias para ter segurança de levá-lo ao plenário da Câmara. A expectativa do Planalto é ter 320 votos.

O Planalto acredita ser possível conseguir o total até a última semana de maio, possibilitando a votação em plenário na primeira semana de junho.

Além do risco de mudanças no relatório, o governo avaliou que, com um texto final definido, fica mais fácil conseguir votos adicionais para a proposta, já que há parlamentares governistas que ainda receiam a possibilidade de recuos nas flexibilizações realizadas.

O PSDB se reúne nesta quarta-feira para tratar do fechamento de questão a favor da reforma, o que obrigaria seus parlamentares a votarem a favor do texto, sob pena de punições partidárias.

O governo quer que os principais partidos base aliada façam esse movimento para incentivar o apoio das legendas menores ao projeto.

O PMDB, partido do presidente, já decidiu que deve fazer esse movimento, mas vai aguardar a votação do texto na comissão para formalizar o movimento.

Com informações da Folhapress.

About Beto Fortunato
Jornalista - Diretor de TV - Editor -Cinegrafista - MTB: 44493-SP

Beto Fortunato

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