Infraestrutura verde – a resposta está na natureza

Infraestrutura verde – a resposta está na natureza
Autor é egresso da Faculdade de Engenharia da Unesp em Guaratinguetá
8:10 | 20MAR2018 - Luciano Zanella / ACI  

Comemorado anualmente em 22 de março, o Dia Mundial da Água terá como tema de reflexão no ano de 2018 a “Natureza para a água” e como lema “A resposta está na natureza”. O tema visa a reflexão sobre as formas de explorar as soluções baseadas na natureza para solucionar os desafios para a água no século XXI.

 Problemas relacionados ao manejo das águas são cada vez mais comuns. Alagamentos, secas, poluição e os conflitos surgidos a partir desses problemas interferem na vida cotidiana e representam um impacto significativo na economia global, por outro lado a urbanização, o suporte á população e a busca pelo desenvolvimento econômico muitas vezes negligenciam os ecossistemas, degradam as reservas de água e a vegetação o que leva a impactos como alagamentos, seca e poluição, fechando um ciclo vicioso.

 Usualmente o enfrentamento dos desafios relacionados à água é feito com a chamada “infraestrutura cinza”, obras ou intervenções baseadas nas experiências da engenharia tradicional que buscam minimizar os problemas advindos da urbanização e das atividades humanas. Caso clássico pode ser encontrado nos sistemas de drenagem urbana onde as soluções tradicionais buscam afastar rapidamente as águas escoadas a partir dos espaços impermeabilizados pelas edificações e vias de tráfego das cidades com a utilização de canais e tubulações que descarregam toda a água coletada em pontos específicos. Essas soluções podem ser melhoradas e complementadas pela chamada “infraestrutura verde”, soluções que tem por base a observação e consideração do modo de funcionamento dos ecossistemas e as soluções baseadas na natureza.

 A infraestrutura verdecongrega uma série de soluções que podem ser aplicadas em diferentes escalas, em diferentes sistemas urbanos ou prediais e para diferentes finalidades. Exemplos podem ser citados desde a reconexão de rios às planícies de inundação em uma escala regional de abrangência macro visando a recuperação de volumes de água armazenados e o gerenciamento de riscos de inundações em uma bacia hidrográfica, até, por exemplo, a captação de água de chuva para utilização em uma edificação como forma de atenuar os efeitos da impermeabilização do solo urbano em escala predial.

 A área de manejo urbano das águas que envolve água, esgoto e drenagem, é um campo onde conceito de infraestrutura verde pode ser aplicado em diversas soluções. Sistemas de drenagem de águas pluviais que utilizam e conceitos de biomimética em estruturas de infiltração, retenção ou detenção de água, tais como os jardins de chuva, valas vegetadas e biovaletas são exemplos de soluções de infraestrutura verde. Nessas aplicações busca-se recuperar, ao menos parcialmente, as características originais do terreno pré-ocupação, com a introdução no sistema de estruturas que reduzam a velocidade do escoamento das águas, aumentem sua infiltração nos solos e a consequente recarga de aquíferos e a evapotranspiração por meio da vegetação que propicia que parte da água volte à atmosfera.

 Ainda no setor de drenagem, a água de chuva coletada a partir dos telhados pode ser utilizada para fins não potáveis. Nesse caso, além de atenuar o efeito da impermeabilização do solo pela retenção da água localmente, tem-se uma fonte alternativa de água que pode ser utilizada para fins diversos, desde que tomados os devidos cuidados, em especial aqueles onde a potabilidade da água não é exigida.

 As soluções baseadas na natureza também têm aplicação na melhoria da qualidade das águas. Tratamento de esgotos e redução da poluição difusa podem ser realizados, por exemplo, com a utilização dos sistemas de wetlands construídos.  São áreas projetadas especificamente para que permaneçam alagadas ou saturadas ao longo do tempo às quais é adicionada vegetação adaptada ao ambiente saturado. Junto às raízes e ao meio suporte das plantas desenvolvem-se colônias de bactérias, a chamada biomassa bacteriana, que são as grandes responsáveis pela melhoria das características da água.  A utilização de wetlands construídos é uma realidade fora do país até para ao tratamento das águas de córregos e pequenos rios. Sua utilização para tratamento de esgotos vem ganhando espaço no Brasil, em especial nos últimos 25 anos, para sistemas de diversos tamanhos. Em alguns locais do mundo esses sistemas têm funções múltiplas, servido também como parques ou como área de atração de aves.

 São tecnologias, usualmente, que apresentam baixo impacto ambiental, que colaboram significativamente para a resiliência urbana e, como benefício extra, tornam mais agradável a paisagem urbana.

 Luciano Zanella é formado em em engenharia civil na Faculdade de Engenharia da Unesp em Guaratinguetá. Atualmente é pesquisador do Laboratório de Instalações Prediais e Saneamento do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo) e professor do programa de mestrado profissional também do IPT nas áreas de Processos Industriais e também na área de Habitação. É mestre e doutor em engenharia civil, na área de saneamento e ambiente pela Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp. Contato: [email protected]

About Beto Fortunato
Jornalista - Diretor de TV - Editor -Cinegrafista - MTB: 44493-SP

Beto Fortunato

Jornalista - Diretor de TV - Editor -Cinegrafista - MTB: 44493-SP

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *