Lar Nosso Ninho pede apoio para montar segunda casa inclusiva

Lar Nosso Ninho pede apoio para montar segunda casa inclusiva  
Atualmente, o Lar trabalha com o quadro de funcionários enxuto e o orçamento limitado ao pagamento desses trabalhadores
17:49| 02/08/2016
Fernanda Miranda

A deputada estadual Márcia Lia visitou, na sexta-feira (29), o Lar Nosso Ninho, entidade assistencial de Araraquara que atende a jovens e adultos com deficiência física e mental média, grave e severa. Márcia foi recebida por membros da diretoria da entidade, que falaram das dificuldades financeiras e da necessidade de uma segunda casa inclusiva, que auxiliaria na reintegração de assistidos na sociedade. O candidato a prefeito Edinho Silva e o candidato a vice-prefeito Damiano Barbiero Neto acompanharam a visita.

Atualmente, o Lar trabalha com o quadro de funcionários enxuto e o orçamento limitado ao pagamento desses trabalhadores, sem margem para ampliar os serviços oferecidos aos 21 assistidos. Além disso, por falta de recursos, mantém em regime de internato um grupo de cinco pessoas, que poderia estar em um programa de reintegração leve.

Márcia Lia apresentou duas emendas direcionadas à entidade, num total de R$ 80 mil para a aquisição de equipamentos, ao Orçamento estadual. Uma delas, de R$ 30 mil, está liberada, mas ainda não foi paga pelo governo estadual.

Segundo o presidente Ricardo Lima, hoje a entidade atende a 12 jovens e adultos com deficiência física e mental média, grave e severa, em regime de internação na unidade, e assiste a outros nove em condições de socialização. Estes moram em uma casa na Vila Xavier com duas cuidadoras e são capazes de passear sozinhos e realizar atividades como comer e tomar banho sem supervisão.

Lima explica que o estatuto foi modificado recentemente para atender apenas maiores de 18 anos, tendo em vista que os assistidos não têm controle de força e poderiam machucar crianças; também, a entidade passou a receber apenas pessoas para assistência social. “Apesar disso, temos aqui pessoas que requerem cuidados de saúde, mais que de assistência social; ainda assim, essas que necessitam de cuidados de saúde acabam ficando aqui. Não é o adequado, mas para onde elas vão?”, questiona Lima.

O presidente revela que cortou funcionário de seu quadro de colaboradores e está no limite das possibilidades orçamentárias. E, no próximo mês, a conta não irá fechar porque os salários terão o reajuste do dissídio. “Recebemos um recurso de R$ 31 mil dos governos, basicamente para pagar funcionários. Mês que vem vai faltar”, diz o tesoureiro César Bertho.

Para complementar os recursos, a entidade realiza eventos beneficentes como a Noite da Tainha, que este ano está marcada para o dia 27 de agosto. O convite para duas pessoas custa R$ 80. Também organiza eventos como festa junina dentro de empresas e recebe como retorno tudo o que é arrecadado por elas.

O Lar Nosso Ninho ainda tem um salão de festas que comporta até mil pessoas e é alugado para eventos, além de receber doações de pessoas físicas e jurídicas. “O nosso maior problema é que muita gente não conhece nosso trabalho, não sabe de quem cuidamos. Quando a gente fala Lar Nosso Ninho muita gente imagina crianças brincando, correndo, saudáveis. Abandonadas, mas saudáveis. E não é isso. A maioria chegou aqui menino, todos já têm mais de 18 anos e nenhuma condição de serem reintegrados. Alguns são esquizofrênicos, outros têm deficiências graves”, explica o presidente.

Entre os moradores do Lar Nosso Ninho está Zezinho, um homem de 53 anos que chegou ao local aos 07 anos. Outro morador é Cordeiro, um jovem que perdeu toda a família e tem apenas uma irmã, também moradora de uma casa inclusiva em São Paulo. O parente mais próximo é uma tia que nunca se interessou pelos sobrinhos, ambos deficientes físicos. “O programa lá de São Paulo até encontrou essa tia, mas se ela não quis cuidar deles quando eram crianças, não vai ser agora que vai recebê-los, não é?”, fala o presidente.

Casa inclusiva

Um dos projetos da entidade que ainda não saiu do papel por falta de recursos é uma segunda casa inclusiva, que funcionaria como uma etapa intermediária entre a internação e a casa inclusiva 1, na Vila Xavier. Nela, viveriam cinco meninos com condições de socialização e eles seriam preparados para viver de forma mais independentes. “Ficando onde eles estão hoje é mais difícil de ver o quadro evoluir”, fala Cristina Costa, diretora fiscal do Lar Nosso Ninho.

Para montar a segunda casa inclusiva, o Lar Nosso Ninho precisa de dinheiro para pintura, alambrado, grades, um novo telhado e mobília adequada para receber os cinco moradores e pelo menos uma cuidadora.

As dependências da entidade também necessitam de reparos, alguns urgentes, nos quartos, refeitórios, banheiros e salas de terapia. Anos atrás, o Lar ganhou uma piscina para fazer uma área de hidroterapia. O espaço foi um sucesso, mas logo apareceram rachaduras nas paredes que comprometeram a estrutura da sala e esvaziaram a piscina. Se nada for feito, parte do prédio pode cair com o tempo. “Uma reforma inicial nos custaria R$ 30 mil”, avaliam os diretores.

Os medicamentos utilizados pelos moradores do Lar são quase todos fornecidos pelo Estado, assim como parte das frutas e verduras, que chegam pelo programa Fome Zero. “Mas lidamos com casos de urgência e emergência. Quando conseguimos trocar uma porta, um dos meninos tem uma crise e arranca um chuveiro ou o vaso sanitário. Temos que contar sempre com isso”, fala a coordenadora Lídia.

História

O Lar Nosso Ninho nasceu nos anos 1960, fundado por Abigail Machado Callera, uma voluntária da Casa Betânia e do Lar Juvenil Domingos Sávio que passou a levar para a própria casa crianças doentes abandonadas por seus familiares. Durante muito tempo, os meninos ficaram em sua casa, até que em janeiro de 1963, dona Abigail recebeu uma casa para instalá-los no bairro São José. Estava criada a entidade sem fins lucrativos.

Em 1978 foi construído o prédio na avenida Manoel de Abreu, para abrigar internos e uma estrutura de terapias múltiplas. Havia professoras, pedagogas, enfermeiras e fonoaudiólogas na equipe. O dinheiro do terreno foi doado por bancários; para construir o prédio, dona Abigail fez inúmeras campanhas.

Homenagem

Em 2012, dona Abigail, então com 86 anos, recebeu o título de Cidadã Benemérita, em sessão solene da Câmara Municipal de Araraquara, proposto pela então vereadora Márcia Lia. O projeto de decreto legislativo, de número 00785, foi aprovado por unanimidade pelos vereadores.

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About Beto Fortunato
Jornalista - Diretor de TV - Editor -Cinegrafista - MTB: 44493-SP

Beto Fortunato

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