Na fronteira, venezuelanos relatam medo e fome após violência 

Na fronteira, venezuelanos relatam medo e fome após violência
    Se antes do confronto entre imigrantes e brasileiros cerca de 1,2 mil pessoas cruzavam a fronteira, nesta terça não passavam de 300, informam agentes locais

7:31 |ID News/Estadão Conteúdo|2018AGO08| 

Na manhã desta terça-feira (21), era incomum o cenário na tenda da Operação Acolhida, em Pacaraima, na fronteira entre Roraima e a Venezuela. Em vez das costumeiras filas de refugiados, que até pouco chegavam a dar voltas do lado de fora do equipamento do Exército, responsável por receber e fazer triagem dos imigrantes, havia diversos bancos de espera vazios.

Segundo agentes do local, o fluxo de chegada de venezuelanos caiu de forma brusca desde sábado (18), quando um grupo de moradores de Pacaraima destruiu objetos e incendiou barracas de refugiados. Se antes cerca de 1,2 mil pessoas cruzavam a fronteira, nesta terça não passavam de 300.

— Queimaram todos os meus documentos, só me sobrou a roupa do corpo — diz o engenheiro de sistemas Raul León, de 36 anos, um dos venezuelanos atacados no sábado e havia cruzado a fronteira na véspera. — A triagem demorou mais de um dia — conta.

Desempregado, León saiu da Venezuela para fugir da falta de comida e de remédios.

— Já passei três dias sem comer — diz. — Sei operar redes de comunicação, câmeras de segurança… Me recomendaram trabalhar em Manaus, mas não sei quando vou conseguir ir.

Após as agressões de sábado, León pensou em voltar.

— Senti medo, mas depois as coisas foram se acalmando — relata. — Os brasileiros pensaram que foram venezuelanos que agrediram o comerciante. Entendo. Mas nenhuma violência se justifica.

Ao lado da mulher e de cinco filhos, a mais nova de dois anos e o mais velho de 12, o comerciante Gregorio Bello, de 37 anos, estava com a passagem comprada para o Brasil quando recebeu a notícia do incêndio no acampamento.

— Não podia devolver, então pensei: “vamos em nome de Deus”.

O desejo, segundo conta, é chegar a Boa Vista e matricular as crianças na escola.

— Até o momento, os brasileiros me atenderam muito bem — diz. — Espero que dê tudo certo. Com informações de Gaucha ZH

 

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Jornalista - Diretor de TV - Editor -Cinegrafista - MTB: 44493-SP

Beto Fortunato

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