Nesta segunda-feira, dia 3 de julho, comemora-se o Dia Nacional do Combate ao Racismo

Nesta segunda-feira, dia 3 de julho, comemora-se o Dia Nacional do Combate ao Racismo
Coordenador do NEAB da Uniara afirma que é importante ter esse marco, mas que a discussão do tema se faz necessária todos os dias

 01JUL2017|  8h 50 - Assessoria de imprensa da Uniara

Nesta segunda-feira, dia 3 de julho, é comemorado o Dia Nacional do Combate ao Racismo. O coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros – NEAB da Universidade de Araraquara – Uniara, Edmundo Alves de Oliveira, fala sobre o racismo e a data.

“É um dia para refletirmos. Não gosto muito da palavra ‘combate’, que implica em luta. Penso que a data seja um dia de reflexão sobre o racismo, esteja ele na piada, em ser atendido de maneira diferenciada, de olhar para a pessoa e menosprezá-la. Perceber é algo que só acontece quando você reflete sobre a questão. As coisas se tornam importantes para você quando é levado a refletir”, explica.

Para ele, “não podemos fazer uma análise quantitativa do racismo, mas vemos, ao longo da história, algumas formas de expressões dele”. “Algumas são mais ou menos violentas, jocosas e/ou aceitas. Acredito que estamos entrando em um período em que as configurações sociais estão permitindo questionar esse tipo de racismo brasileiro, que é socialmente aceito a ponto de, muitas vezes, o racista dizer, ‘mas eu não estou sendo racista’. Ele não percebe, e isso é uma questão da cultura racista autoritária que o Brasil tem e não percebe”, relata.

Oliveira afirma que o racismo é uma questão que se deve trabalhar todos os dias, “mas um dia específico para isso acaba, de certa forma, sendo interessante, porque faz com que as pessoas se lembrem da situação”. “Se não for assim, há um combate ‘subterrâneo’, uma discussão que deve ser feita todos os dias, mas não tem um marco para isso. Esses momentos de marco, se analisarmos antropologicamente, diz-se que é preciso haver marcos de passagem, como uma cerimônia de casamento, por exemplo. São assuntos que são lembrados a partir de um marco, onde as pessoas ‘gravam’ a situação a partir dele”, completa.

Sobre as ações afirmativas e as cotas raciais, o coordenador ressalta “que temos ações estatais e governamentais, que há opção política e regras de políticas públicas que estão voltadas para que essas questões sejam, em uma expectativa a longo prazo, minimizadas”. “Os Estados Unidos são uma expressão razoavelmente de sucesso em ações afirmativas e cotas raciais. Isso não eliminou o racismo lá e nem faz com que exista um nível de igualdade, mas você vê expressões de espaços públicos e privados ocupados por negros”, finaliza Oliveira.

 NEAB da Uniara

 O coordenador afirma que o NEAB existe há um bom tempo. “É um Núcleo dentro de uma universidade privada, e acho que esse fato é uma exceção no Brasil. Isso mostra o quanto a Uniara tem sensibilidade e vontade de desenvolver reflexões sobre essa questão. O NEAB faz reuniões e esteve, no ano passado, envolvido, além das próprias pesquisas, com as questões sobre a verdade sobre a escravidão em Araraquara”, complementa.

“Estamos celebrando alguns convênios para ampliar nossas ações fora da instituição. Queremos fazer ações que esbocem mais a própria ação do NEAB que, consequentemente, tenham o impacto positivo de trazer a reflexão para as pessoas que não estão dentro da universidade. O NEAB estimula a pesquisa dentro da Uniara, e a ação e reflexão fora dela. É uma função do Núcleo, e é algo que nos traz bastante alegria enquanto acadêmicos, pois podemos conversar com pessoas que, de certa forma, querem se aprofundar sobre essas questões”, finaliza ele.

Quem tiver interesse em ser integrante do NEAB pode procurar os responsáveis na coordenação do curso de Direito, ou entrar em contato pelo telefone (16) 3301-7173 ou pelo e-mail [email protected].

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Jornalista - Diretor de TV - Editor -Cinegrafista - MTB: 44493-SP

Beto Fortunato

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