ODS orientam o repensar da Pós-Graduação na Unesp 

ODS orientam o repensar da Pós-Graduação na Unesp
   O foco principal é a reorganização dos cursos de mestrado e doutorado

11:21 |Ag: Notícias Unesp/ID News/Jorge Marinho| 2018AGO13|
Os diretores Pasqual Barretti, Celso Rodrigues e César Martins junto com o Pró-Reitor João Lima e o Vice-Reitor Sérgio Nobre na abertura do Fórum de Pós-Graduação em Botucatu

Reunidos em Rubião Júnior, Botucatu/SP, os coordenadores dos Programas de Pós-Graduação da Unespe a Pró- Reitoria de Pós-Graduação (PROPG) intensificaram o diálogo sobre o futuro da área na Universidade. O foco principal foi a reorganização dos cursos de mestrado e doutorado com base nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Um detalhado estudo realizado pela PROPG identificou as fortalezas da pesquisa e da excelência dos Programas de Pós-Graduação na Unesp. Uma investigação que considerou a qualidade da produção intelectual, o nível de internacionalização, a capacidade de captação e financiamento para o desenvolvimento de projetos de pesquisa, a formação de recursos humanos de alto nível para uma contribuição possível para o enfrentamento dos desafios da sociedade.

A partir desse trabalho, a PROPG organizou uma proposta com sete temas transversais ligados aos ODS que foi definida por um grupo executivo de 38 docentes e pesquisadores. O grupo elaborou a fundamentação teórica e metodológica e definiu os grandes projetos para a pós-graduação relacionados a esse novo olhar que conta com a participação de 150 Programas de Pós-Graduação da instituição.

Os temas são:

1 – Sociedades Plurais: contribuir para erradicar a pobreza e redução das desigualdades; aprimorar/fortalecer a educação inclusiva e de qualidade; promover sociedades pacíficas, plurais e integradas, dotadas de instituições democráticas e eficazes; produzir cidades inteligentes, sustentáveis e seguras; estimular a comunicação e informação de qualidade e; valorizar a cultura e a arte.

2 – Desenvolvimento Sustentável: buscar soluções para o uso sustentável do ambiente e recursos naturais; produção mais limpa (industrial e agropecuária); consumo consciente; e saneamento básico universal para o desenvolvimento econômico e social.

3 – Bioeconomia: conseguir a eficácia das atividades econômicas relacionadas à invenção, desenvolvimento, produção e uso de produtos e processos biológicos em fisiologia, bioquímica, genes e processos celulares complexos; biomassa renovável; integração de aplicações de biotecnologias em todos os setores para que não haja resíduos, mas coprodutos das cadeias produtivas; e bioeconomia para a segurança energética, hídrica e alimentar.

4 – Saúde e Bem Estar: desenvolver pesquisas direcionadas ao entendimento e ações de prevenção, terapia e controle de doenças transmissíveis e não transmissíveis; desenvolver e avaliar novos fármacos e medicamentos; estudar Patologia Humana e Animal associada à Saúde e Bem-Estar; e produzir alimentos dentro dos critérios de sustentabilidade que caracterizam os pilares da condição de Saúde e Bem-Estar.

5 – Materiais e Tecnologias: pesquisar as nanotecnologias, biotecnologias, materiais avançados, manufatura flexível e processos limpos, pelo benefício que podem trazer à sociedade, nas áreas da saúde, energia, ambiente e transportes, desenvolver fármacos e produzir materiais biocompatíveis para resolver problemas terapêuticos relacionados a doenças não tratáveis com medicamentos convencionais.

6 – Biodiversidade e Mudanças Climáticas: estabelecer caracterização, conservação e uso sustentável da biodiversidade e seu papel no provisionamento de importantes serviços ambientais, além da caracterização dessa diversidade desde o ponto de vista molecular ao morfológico, fisiológico, ecológico e comportamental; construir conhecimento sobre os processos físicos, a adaptação e mitigação do clima e das mudanças climáticas, considerando os desafios da produção de biocombustíveis, da agricultura de baixo carbono e dos setores de transporte e indústria.

7 – Ciência básica na fronteira de conhecimento: realizar pesquisas de alto impacto e complexidade nas áreas da teoria das partículas elementares, física experimental de partículas, teoria de campos e cordas, gravitação e cosmologia, sistemas complexos, física de poucos corpos e matéria condensada e análise, geometria e topologia puras e aplicadas.

Durante o Fórum, também foi apresentada a proposta de um novo Regimento Geral da Pós-Graduação para a Unesp. A medida contempla a necessidade de uma maior autonomia das unidades acadêmicas, permitindo-lhes maiores atribuições e autonomia na administração acadêmica da Pós-graduação Stricto sensu e Lato sensu; a necessidade de procedimentos conforme diretrizes para uma Pós-graduação de excelência e, internacionalizada; e a atualização das regras institucionais da área na Universidade.

O plano tem o objetivo de contemplar todos os níveis de Pós-graduação (Stricto sensu e Lato sensu) e todas as modalidades (individuais, Interunidades, Interinstitucionais e Internacionais). Uma das ideias é facilitar a mobilidade entre graduação e a pós-graduação, incentivando o doutorado direto para alunos qualificados.

Com o novo Regimento pretende–se flexibilizar e dar equilíbrio entre a creditação e a carga horária, repensando a composição e as características das comissões julgadoras (tempo, forma, composição das bancas), aumentar o “peso” das atividades complementares, incentivar a oferta das disciplinas conjuntas, estimular a utilização de tecnologias de informação e reduzir o “peso” das disciplinas.

A proposta também indica a diminuição de regras, estabelecendo critérios mínimos com flexibilização de normas em correspondência com os parâmetros de avaliação da Capes, além de considerar que mestrado não é pré-requisito para o doutorado. Também explicita o conceito de Pós-graduação, o que se entende por tese de doutorado e dissertação de mestrado, os parâmetros de credenciamento, descredenciamento e recredenciamento de docentes, a organização administrativa e como funcionarão os Programas de Pós-Graduação.

A expectativa é que o documento entre na pauta de discussão da Câmara Central de Pós-Graduação (CCPG) e do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) até dezembro deste ano.

Segundo o Pró-Reitor de Pós-Graduação, João Lima Sant’Anna Neto, o objetivo central dessas reflexões é a implementação de uma nova política de gestão acadêmica, que permita melhorar a excelência, por meio de uma reengenharia organizacional da pesquisa e pós-graduação, em torno dos temas transversais apontados que têm elevado impacto científico e cultural.

A esperança é que essas ações levem a diminuição do número de programas e aumento da qualidade, reorientando a internacionalização por meio de parcerias estratégicas e prioritárias com instituições estrangeiras de classe mundial.

Lima foi enfático ao dizer que diante do momento político do país e da necessidade de resistência ao modelo neoliberal: “a Universidade não é um negócio, os alunos não são clientes, o conhecimento não é uma mercadoria e o financiamento da Universidade não é gasto, mas investimento”.  Nesse sentido, o Pró-Reitor realça ainda a necessidade de se buscar maior interação com a sociedade, o poder público e a iniciativa privada, sem perder a autonomia e nem liberdade intelectual existente na Universidade.

Planejamento e Avaliação Departamental

Durante a abertura do encontro, o Vice-Reitor da Unesp, professor Sérgio Nobre, fez um balanço sobre as atividades da Vice-Reitoria, destacando a aprovação da nova metodologia de Planejamento e Avaliação Departamental realizada pelo Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão (CEPE), sob sua responsabilidade, após cerca de 8 meses discussões no Conselho, a partir de contribuições recebidas das congregações e conselhos diretores, no caso dos campus experimentais.

Nobre explicou que com a nova sistemática, os departamentos passam a atuar de maneira protagonista e com visão estratégica, permitindo o estabelecimento de metas e ações para superar desafios locais, por meio do diálogo construtivo entre seus professores, pesquisadores e servidores técnico-administrativos. Também provoca o fortalecimento institucional, em detrimento de improvisações e ou prevalência de esforços individualizados de seus professores e pesquisadores, além de contemplar ainda as reivindicações da comunidade universitária, uma vez que possui como premissas as recomendações dos fóruns das grandes áreas do conhecimento.

O professor Nobre lembrou ainda de outra contribuição dada pelo CEPE, este ano, que foi a aprovação do Programa Aperfeiçoamento e Apoio à Docência no Ensino Superior – PAADES; com a edição da Resolução Unesp nº 18, de 29 de março de 2018. Uma medida que visa aprimorar a formação dos Pós-graduandos para a atividade docente na graduação.

Os diretores do Instituto de Biociências de Botucatu (IBB), professor César Martins; da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB), professor Pasqual Barretti; e da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), professor Celso Antônio Rodrigues, também prestigiaram o Fórum.

About Beto Fortunato
Jornalista - Diretor de TV - Editor -Cinegrafista - MTB: 44493-SP

Beto Fortunato

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