Pela primeira vez em cinco anos, SP reduz número de mortes pela polícia

IDNews | Folhapress | Via Notícias ao Minuto  

Em 2017, o indicador bateu recorde e fez da polícia paulista a segunda mais letal do país

Pela primeira vez em cinco anos, o estado de São Paulo reduziu os índices de letalidade policial, que apresentavam alta desde 2013. Em 2018, 851 pessoas foram mortas por policiais civis e militares, contra 940 no ano anterior -queda de 9%.

Em 2017, o indicador bateu recorde e fez da polícia paulista a segunda mais letal do país, atrás apenas da fluminense.

A maior redução foi observada na Região Metropolitana, onde a letalidade policial caiu 22%. Na capital, foi de 9% -no interior, o índice não sofreu variação. Os dados constam de balanço atualizado divulgado nesta quarta (24) pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo.

Apesar da queda registrada no ano passado, as mortes pelas forças de segurança ainda representam uma fatia significativa dos homicídios no estado. Se somadas às vítimas de latrocínio e de homicídio doloso, equivalem a 20% do total de assassinatos em São Paulo.

Os resultados contrastam com o discurso adotado pelo governador João Doria (PSDB) durante a campanha pelo governo. Pegando carona na onda de popularidade do hoje presidente Jair Bolsonaro (PSL), que já afirmou que “a Polícia Militar no Brasil tinha que matar mais”, o tucano disse, em entrevista à rádio Bandeirantes, que, “se [um bandido] fizer o enfrentamento com a polícia e atirar, a polícia atira. E atira para matar”.

À reportagem, na terça (22), o governador negou que estivesse incentivando alguma ação ilegal da polícia e disse que, “se ele [o bandido] reagir armado aos policiais que estão ali com ordem de prisão e mantiver essa reação, a orientação do governador é que ele seja abatido”.

Tal posicionamento vai de encontro à postura adotada pelo coronel Marcelo Vieira Salles, no comando da Polícia Militar paulista desde abril de 2018. Ainda durante a campanha eleitoral, Salles disse ao portal UOL que o objetivo da corporação é proteger vidas e que o trabalho policial precisa ser técnico.

“Qualquer polícia do mundo é feita para conter a violência. […] O policial só deve fazer uso da força, de forma progressiva, quando se vê numa situação em que deve se defender ou preservar a vida de um terceiro.”

Apesar dos pontos de vista divergentes, Salles foi mantido por Doria no comando da PM.

Segundo especialistas, a política adotada pelo coronel dentro da corporação foi de grande importância para a redução da letalidade policial.

“O discurso das pessoas que ocupam as principais posições na liderança da segurança de alguma forma se conecta com a atuação cotidiana dos policiais. Saber que a liderança da instituição entende que é importante que a polícia atue da forma mais estritamente legal possível com certeza é importante para que os policiais tenham essa observância no seu cotidiano de trabalho”, disse David Marques, coordenador de projetos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Marques também observa que o movimento atual que defende o endurecimento da atuação das polícias no país pode afetar os indicadores de letalidade, ainda que, dentro da PM paulista, o entendimento seja diverso.

Apesar disso, o pesquisador considera que, em geral, a sociedade paulista tende a cobrar da polícia uma atuação mais legalista, o que nem sempre é tão forte em outros estados.

“Existe aqui em São Paulo uma pressão social com reação à atuação da polícia. Isso é bastante positivo porque contribui para que a polícia continue funcionando dentro dos parâmetros legais.” Com informações da Folhapress.

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Jornalista - Diretor de TV - Editor - Câmera -

Beto Fortunato

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