Presidente da Câmara solicita ao prefeito intermediação junto ao Incra em prol de famílias do Bela Vista

Presidente da Câmara solicita ao prefeito intermediação junto ao Incra em prol de famílias do Bela Vista
O objetivo da reunião foi pedir a intermediação da Câmara Municipal e da prefeitura junto ao Incra em favor dos moradores

23DEZ2016|14:03
Imprensa CMA

Três famílias do assentamento Bela Vista estão correndo contra o tempo para não perderem suas casas e única fonte de renda devido a uma ação de reintegração de posse impetrada em favor do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que determina a sua saída dos lotes em 60 dias. Acompanhados de seu advogado Roberto Fiore, e do presidente do Sindicato da Agricultura Familiar João Vicente dos Santos e da assessora do Sindicato Edna Andrade Lacerda, os moradores Palmira Dalcole de Pino, Leandro Henrique Dalcole de Pino e Nelson José Marques reuniram-se na tarde desta quinta-feira (22) com o presidente da Câmara Municipal Elias Chediek (PMDB) e com o secretário de Governo André Beraldo para solicitar uma intermediação junto ao Incra a fim de resolver o impasse.

O objetivo da reunião foi pedir a intermediação da Câmara Municipal e da prefeitura junto ao Incra em favor dos moradores. “Fomos procurados por essas famílias para fazer uma ponte com o Incra na qualidade de Poder Legislativo. Trabalhando em parceria com a prefeitura, tentaremos encontrar uma solução conjunta para a questão”, aponta Chediek. “Trata-se de uma ação antiga de reintegração de posse, em curso há 18 anos. Consegui o arquivamento de ações, mas essas três famílias não foram beneficiadas, e agora receberam a intimação”, explica o advogado Roberto Fiore, que já entrou com uma ação rescisória. Ele explica, porém, que tal ação não tem poder de suspender a intimação e que não dispõe mais de recursos jurídicos no curto prazo para evitar a saída das famílias de suas casas. “No momento, a opção mais eficaz seria que o próprio Incra pedisse a suspensão do mandato de reintegração, acrescenta.

Moradora do assentamento há 27 anos, dona Palmira está, ao mesmo tempo, preocupada e indignada. “Meus filhos nasceram aqui, sempre trabalhamos aqui. A terra nunca ficou abandonada. Está toda arada, o milho está plantado. Agora meu marido está com medo de plantar abóbora e sermos despejados antes da colheita”, conta a agricultora que, juntamente com a família, já participou de feiras, mas agora pratica a agricultura de subsistência. “É que a água secou”, explica. Mesmo assim, a família produz milho, quiabo e feijão, e consegue vender um pouco de banana e mandioca.

O vizinho, o sr. Nelson José Marques, de 67 anos, também corre o risco de ser despejado no começo de 2017, apesar de ser morador há 27 anos, e colher abacaxi, banana, jaca, manga e goiaba. “Também tenho cabrito, galinhas e uma égua”, acrescenta.

Se a entidade concordar com a solicitação, os advogados terão mais tempo para trabalhar os processos jurídicos, que são demorados. “O próximo passo agora é conseguir com o prefeito uma reunião com o superintendente do Incra o quanto antes”, adianta Chediek. “Embora estejamos num período complicado com recessos no Judiciário, não podemos deixar essas famílias sem uma resposta. Faremos todo o possível para garantirmos que não percam seus lotes e suas casas”, conclui.

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Jornalista - Diretor de TV - Editor -Cinegrafista - MTB: 44493-SP

Beto Fortunato

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