Projeto internacional restaurara presa de Mamute

Projeto internacional restaurara presa de Mamute
“Trata-se de um projeto internacional realizado em parceria com a  …

01JUL2017|  8h17 - JOSÉ ANGELO SANTILLI

Os pesquisadores brasileiros da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Dr. Thales Rafael Machado e o Prof. Dr. Elson Longo vêm desenvolvendo novos nanomateriais inorgânicos para futuras aplicações na restauração de materiais paleontológicos, com apoio da CAPES, FAPESP e CNPq. Elson Longo é professor do Departamento de Química (DQ) da UFSCar e diretor do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) apoiados pela FAPESP.

“Trata-se de um projeto internacional realizado em parceria com a Subdirección de Conservación, Restauración e Investigación IVC+R de CulturArts Generalitat, um organismo governamental da Comunidade Valenciana, Espanha, com atuação específica na restauração de patrimônio histórico e cultural, e pesquisadores do grupo de Química do Estado Sólido na Universitat Jaume I (UJI), Espanha, Me. Lívio Ferrazza, Profa. Dra. Eloisa Cordoncillo e Héctor Beltrán Mir”, explica Longo.

O estudo está centrado na avaliação da ação consolidante e protetora de diferentes nanopartículas inorgânicas atóxicas sintetizadas em laboratório, compostas por elementos não prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. “A preparação das mesmas é realizada por rotas baratas e verdes, o que facilita o possível uso em larga escala”, comenta Machado.

No departamento científico do IVC+R, na Espanha,  os nanomateriais sintetizados no laboratório do CDMF, em São Carlos (SP), são aplicados sobre pequenos fragmentos de marfim procedente das presas de um mamute jovem encontrado no depósito de Can Guardiola no município de Viladecans, região metropolitana de Barcelona, Espanha. A cronologia deste depósito se situa no período Pleistoceno da era Cenozoica, há cerca de 70.000 a 60.000 anos. Testes também estão sendo realizados em fragmentos de ossos de mamíferos herbívoros encontrados no depósito de Cova del Llentiscle, município de Vilamarxant da província de Valência, Espanha. “A cronologia deste depósito, por sua vez, situa-se no período Pleistoceno Inferior ao Médio da era Cenozoica, ou seja, há cerca de 700.000 a 800.000 anos”, explica Ferrazza.

Os experimentos se baseiam em corroborar as variações das propriedades físico-químicas do substrato tratado quando em contato com as nanopartículas. Além disso, é feito um estudo comparativo em nível superficial referente a possíveis alterações de cor e textura do substrato, bem como a penetração e interação desse substrato com as nanopartículas. O estudo também está centrado em comprovar como a eficácia dos tratamentos de consolidação pode ser modificada ao utilizar nanopartículas com distintos tamanhos, formas e composições.

Desde o início das técnicas de conservação paleontológica a partir do século XX, foram numerosas as substâncias utilizadas nos tratamentos de restauração (consolidação e proteção) desses materiais paleontológicos. Dentre eles, pode-se destacar substâncias como colas animais, gelatinas, amido, ceras, nitratos e acetatos de celulosa, até polímeros sintéticos de fabricação industrial.

“A possibilidade de introduzir no campo de conservação paleontológica novos produtos consolidantes à base de nanomateriais inorgânicos atóxicos se deve principalmente ao fato de que os tratamentos atuais de restauração de bens culturais se baseiam no critério de compatibilidade físico-química e mecânica entre o substrato e o material consolidante ou protetor a ser introduzido”, finaliza Machado.

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Jornalista - Diretor de TV - Editor -Cinegrafista - MTB: 44493-SP

Beto Fortunato

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