Robôs foram usados na campanha de três candidatos ao Planalto em 2014

Robôs foram usados na campanha de três candidatos ao Planalto em 2014
Especialista explica que prática é ilegal, pois cria distorções no processo de escolha do candidato pelos eleitores

8:20 |Eleições 2014 |2018MAR26 -  Foto:  © Agência Brasil / José Cruz

Um estudo inédito revela que perfis falsos em redes sociais foram utilizados para divulgar mensagens de três candidatos ao Planalto nas eleições presidenciais de 2014 no Brasil. O levantamento foi realizado pela diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV) e divulgado no ‘Fantástico’ nesse domingo (25).

Como conta a matéria, o responsável pelas postagens tem perfil com foto e nome, mas, sem uma análise, não é possível garantir se ele realmente existe, ou se é um perfil falso ou ainda um robô que está sendo usado para espalhar a mensagem.

Os pesquisadores analisaram tuítes publicados durante as eleições de 2014 e identificaram que centenas de robôs compartilharam conteúdos relacionadas às campanhas de Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (então filiada ao PSB, hoje da Rede)

“Se você pensar numa eleição disputada no limitezinho, no final dela, com dois candidatos muito próximos, se você conseguir uma distorção de 2%, 3%, isso pode significar a vitória de um em detrimento de outro. E isso muda muita coisa”, explicou Marco Aurélio Ruediger, diretor de Análise de Políticas Públicas da FGV.

O levantamento não encontrou fake news, mas esta é uma das preocupações dos especialistas para as eleições deste ano. As mensagens divulgadas continham frases positivas sobre os três candidatos, além de reproduções de links de sites das campanhas deles.

Pelas métricas do Twitter, quanto mais mensagens são publicadas sobre um mesmo assunto, mais popular o conteúdo fica e se torna “trending topic”.

A análise mostrou que 509 robôs replicaram links dos sites da campanha de Dilma, incluindo um link para baixar o jingle da candidata, que foi compartilhado por contas com fotos idênticas e identificações parecidas, o que indica que são robôs, segundo especialistas.

No caso de Aécio, foram 699 robôs. Os especialistas encontraram um padrões, como usuários com a mesma foto de perfil e inscrições em russo.

“Isso daí nos leva a suspeição que talvez tenham sido contratados serviços em fábricas de robôs no exterior e principalmente na Rússia ou na Ucrânia”, explicou Ruediger.

Os mesmos perfis que divulgaram informações pró-Aécio também compartilharam posts da Marina Silva. Essas contas falsas teriam gerado mais de 773 mil publicações.

De acordo com o advogado e coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade – FGV, Pablo Cerdeira, em entrevista ao ‘Fantástico’, contratar robôs para fazer campanha política é ilegal. A difusão de informação repetida em massa, e em grande escala, cria distorções no processo de escolha do candidato.

Segundo a equipe da FGV, os conteúdos compartilhados por robôs foram produzidos por empresas que trabalharam nas campanhas de Dilma e Aécio, além de prestarem serviços para os três partidos.

O outro lado

Em nota, a ex-presidente Dilma afirmou que “em nenhuma de suas campanhas, em 2010 e 2014, contratou ou autorizou que fossem contratados serviços relativos a perfis e notícias falsos ou o uso de robôs”.

Aécio, também em nota, garantiu “que a campanha do PSDB em 2014 não usou robôs nem autorizou que qualquer empresa ou pessoa o fizesse”.

Já Marina Silva afirma que chegou a denunciar os robôs assim que “uma movimentação atípica de tuítes a favor dela foi detectada pela própria equipe, em 2014”.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirmou “que tem se empenhado em compreender e mapear os efeitos de conteúdos sabidamente falsos nas eleições para definir um curso de ação”.

O Twitter explicou que “as regras da rede social proíbem o uso de robôs mal-intencionados” e que “está desenvolvendo ferramentas para combater o uso de contas que violam as políticas”.

Os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) marcaram para esta terça-feira (20) uma reunião para discutir o impasse em torno da prisão após condenação em segunda instância. Segundo a presidente da corte, ministra Cármen Lúcia, a reunião foi marcada a pedido do decano, Celso de Mello. O tema interessa ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado pela segunda instância da Justiça Federal em janeiro por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá (SP). Em 2016, por 6 votos a 5, a maioria dos ministros passou a autorizar a execução provisória da pena, antes de esgotados os recursos nos tribunais superiores. Duas ações que tratam da constitucionalidade dessa medida foram liberadas em dezembro pelo relator, Marco Aurélio, para serem julgadas no plenário, mas estão fora da pauta elaborada por Cármen Lúcia. Em entrevista à Rádio Itatiaia, de Minas, nesta segunda-feira (19), a presidente disse que a reunião desta terça foi solicitada pelo decano. "O que tem de concreto é que o ministro Celso de Mello me disse que seria conveniente nós conversarmos. Não é nem reunião formal, não fui eu que convoquei, mas é comum a conversa acontecer." À noite, em entrevista transmitida pelo Jornal Nacional, da TV Globo, Cármen Lúcia reafirmou que não vai ceder e não vai pautar as ações que tratam do assunto. Uma ala dos ministros quer que a questão seja julgada logo. Integrantes dessa ala dizem acreditar que há maioria para mudar o entendimento vigente a fim de que a prisão só possa ser decretada após julgamento de recurso pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), a terceira instância da Justiça, nos moldes do defendido por Dias Toffoli. As opções da defesa de Lula para evitar eventual prisão estão em duas ADCs (ações declaratórias de constitucionalidade), que tratam da prisão em segundo grau de forma genérica, ou no pedido de habeas corpus preventivo. O relator do habeas corpus, ministro Edson Fachin, já negou o pedido liminarmente, e decidiu que seu mérito deverá ser analisado pelo plenário (composto pelos 11 ministros), e não pela Segunda Turma (formada por cinco). Cármen Lúcia disse à Rádio Itatiaia que o julgamento do habeas corpus pelo plenário independe de ela colocá-lo na pauta, e que cabe a Fachin levá-lo "em mesa" -no jargão do STF, levar em mesa é pedir para que seja votado. Somente o relator pode levar em mesa o habeas corpus. Já as ADCs tiveram embargos declaratórios (um tipo de recurso) apresentados na semana passada pelo Instituto Ibero Americano de Direito Público contra uma decisão liminar do plenário que negou um pedido para suspender as prisões antecipadas. Como os embargos declaratórios questionam um acórdão do plenário, eles precisam ser julgados pelos 11 ministros -o que é visto como uma chance para reabrir a discussão sobre o tema. De acordo com o relator das ADCs, Marco Aurélio, não cabe a ele levar esses embargos ao plenário, pois seu voto foi vencido na ocasião do julgamento da liminar. Caberia ao redator do acórdão, Fachin, que deu o voto vencedor. Procurado, o gabinete de Fachin informou que ele está analisando a matéria. Uma terceira opção para a defesa é algum ministro apresentar a Cármen Lúcia uma questão de ordem, durante a sessão, argumentando sobre a conveniência de julgar as ações. O regimento permite que qualquer integrante da corte faça esse movimento. Com informações da Folhapress.

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Jornalista - Diretor de TV - Editor -Cinegrafista - MTB: 44493-SP

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