Supermercados da Venezuela limitam venda a clientes registrados

Supermercados da Venezuela limitam venda a clientes registrados     
Comerciantes acreditam que a apresentação de um cartão dos Clap pode ajudar a solucionar a falta de abastecimento e a revenda ilegal de produtos
7:37| 10/07/2016
Crise Venezuela

Os supermercados de Caracas, na Venezuela, estão exigindo aos clientes que apresentem um cartão de inscrição nos conselhos comunais da zona ou nos recém-criados Comitês Locais de Abastecimento e Produção (Clap), para poderem comprar produtos básicos que são escassos no mercado venezuelano.

“Cada vez que nos chegam produtos básicos, há centenas de pessoas fazendo fila para comprar, mas muitas delas não sabemos quem são. A ideia é impedir que quem viva em outra zona compre as coisas que são para os clientes que vivem na nossa área”, explicou o administrador de um supermercado à agência de notícias Lusa.

Segundo João Ferreira, “há produtos que são muito procurados e que são escassos no mercado local, como a farinha de milho, o óleo, o açúcar, o arroz e a massa, que chegam em caminhões protegidos pela Guarda Nacional (polícia militar) e, muitas vezes, as pessoas que sabemos que vivem na zona ficam sem nada”.

O processo para “conseguir a acreditação é fácil”, basta ir aos conselhos comunais e aos Clap, “levar um documento de identificação, o comprovante de endereço fiscal ou uma conta de um serviço público com o endereço da pessoa”, explicou Ferreira.

Os comerciantes acreditam que a apresentação de um cartão dos Clap pode ajudar a solucionar a falta de abastecimento e a revenda ilegal de produtos, principalmente nos supermercados onde as autoridades ainda não instalaram um sistema de identificação biométrico, que limita a quantidade de produtos que é vendida semanalmente a um cliente. As grandes redes já possuem este controle e, mesmo sendo de diferentes empresas, estão interligadas e quem comprar arroz ou outro produto em uma cadeia está impedido de comprar o mesmo produto em outra.

Mas alguns cidadãos reclamam que estão tendo dificuldades para fazer a inscrição e dizem temer que mais tarde os seus dados possam ser usados com fins políticos.

“Na minha zona (Los Cedros), é apenas às terças-feiras, das 17h às 19h horas, que fazem as inscrições. Eu trabalho longe não posso estar aí a essa hora”, disse Diamela Castellanos à agência de notícias Lusa, mostrando-se preocupada porque tem que mais um contratempo: vive em um prédio alugado e os serviços públicos estão no nome da proprietária do imóvel.

Uma fonte do conselho comunal local explicou que nesses casos a proprietária do imóvel pode enviar uma carta explicando a situação e o cadastro é então emitido.

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About Beto Fortunato
Jornalista - Diretor de TV - Editor -Cinegrafista - MTB: 44493-SP

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