Grupo de Temer diz ter 80% dos votos para romper com o governo

Grupo de Temer diz ter 80% dos votos para romper com o governo, objetivo de Temer é fazer com que o PMDB saia da reunião de terça (29) unido para um projeto de poder próprio

O vice-presidente Michel Temer deve desembarcar amanhã em Brasília para tentar unificar o PMDB pela decisão de abandonar o governo Dilma Rousseff.

De acordo com reportagem do jornal O Globo, integrantes da cúpula do partido já contabilizam que cerca de 80% dos votos do Diretório Nacional são a favor do afastamento. O governo estaria tentando conquistar apoio do principal partido aliado, mas admite que, na reunião do diretório, terça-feira, a derrota é inevitável.

Existe ainda a incerteza sobre os demais partidos da base aliada, que também ameaçam seguir os passos do PMDB. O governo tenta ainda conseguir o apoio de 172 dos 513 deputados para barrar o processo de impeachment na Câmara. No entanto, Planalto e PMDB avaliam que o rompimento irá acontecer.

A publicação destaca que o objetivo de Temer é fazer com que o PMDB saia da reunião de terça (29) unido para um projeto de poder próprio. O principal eixo das conversas do vice-presidente será o acerto da situação daqueles que mantêm cargos no governo e não querem abandoná-los.

O PMDB tem sete ministros na Esplanada e Temer deverá tentar sair do encontro como um conciliador entre as tendências do PMDB. O vice desistiu de uma viagem a Portugal e estará em Brasília na véspera da reunião do partido. “Michel vai conversar com todo mundo. Ele ficou no Brasil com o único objetivo de conseguir a unidade do partido e do Brasil”, afirma um peemedebista próximo ao vice.

Afastamento de ministros do PMDB

Dos sete ministros do PMDB, a cúpula do partido avalia que três deles devem rejeitar o desembarque: Eduardo Braga (Minas e Energia), Kátia Abreu (Agricultura) e Marcelo Castro (Saúde). A reportagem refere que estes são os ministérios de maior porte, e os nomes são vistos como escolha da presidente. Henrique Alves (Turismo) e Helder Barbalho (Portos) devem deixar seus postos após a reunião de terça. Ambos são considerados ministros da cota de Temer. Mauro Lopes (Aviação Civil) tende a seguir a maioria da bancada de Minas Gerais, que se diz favorável à saída do governo. Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) deve se licenciar da legenda para se manter no cargo.

O prazo para os ministros se decidirem será até 12 de abril, 30 dias após a data da convenção do PMDB.

Ainda amanhã (28) deve acontecer uma reunião entre os senadores e os ministros da resistência para tentarem uma posição conjunta sobre como lidar com a decisão do comando do partido. Peemedebistas consideram que a iniciativa do Rio de Janeiro de abandonar o governo terá efeito cascata sobre os demais diretórios.

Ainda segundo O Globo, peemedebistas relatam que o governo estaria fazendo tentativas desesperadas para tentar recompor com o PMDB e com outros partidos da base, mas muitos consideram ser tarde demais para uma mudança.

O partido acredita que apenas dois diretórios estariam firmes a favor do governo: Alagoas, com cinco votos, e Amazonas, com dois votos. No Sul, os votos favoráveis ao desembarque são dados como quase unânimes, assim como nos diretórios de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Acre e Roraima, o que, com Rio e Minas, alcançaria cerca de 80% do total de 155 votos. Caso Temer consiga costurar o consenso amanhã, os dirigentes do PMDB pretendem chegar à ruptura do governo por aclamação.

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Jornalista - Diretor de TV - Editor - Câmera -

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