Haddad: “É a primeira vez que me manifesto como gosto nas redes”

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Derrotado nas urnas por Jair Bolsonaro, o petista adotou o humor e a ironia para comentar o novo governo na internet

O tom acadêmico e professoral do ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) ficou de lado nos últimos dias. Nada de discursos elaborados ou palavras eruditas. Candidato derrotado ao Palácio do Planalto no ano passado, Haddad adotou uma nova postura nas redes sociais. Mais solto, ele destila humor e ironia quando o assunto é o ex-candidato que levou a melhor nas urnas e hoje ostenta o posto de presidente da República: Jair Bolsonaro (PSL).

“Sabe que, para ser sincero, é a primeira vez que me manifesto nas redes como gostaria”, contou Haddad em conversa com o Metrópoles. “Em geral eu participava das redes em função pública ou em campanha, que dá quase no mesmo. Daí tinha que representar a instituição”, prosseguiu. Mais livre hoje, Haddad? “Certamente”.

Seu principal alvo, o presidente Bolsonaro, é também usuário assíduo das redes sociais, e, por sua vez, tem o Partido dos Trabalhadores como mira. Quando, no último dia do ano passado, Bolsonaro afirmou que, para melhorar a educação no Brasil, acabaria com o “lixo marxista”, fazendo referência ao pensador do socialismo, Karl Marx, bastante admirado no PT, Haddad usou respondeu on-line:

Há que se combater também […] sobretudo, os intraterrestres, povos subterrâneos nativos, que roubam nossas riquezas naturais [grafemo e nióbio], taoquei? [sic]”, postou. E concluiu: “Feliz Ano Bozo

Haddad, em resposta a Bolsonaro

Em outro momento, após a ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, dizer que uma nova era começava no Brasil, na qual “meninos vestem azul e meninas vestem rosa“, novamente Haddad foi às redes. Com uma camisa rosa, ele postou uma foto com a legenda: “Relendo o maior educador brasileiro com a camisa da cor errada. Foi mal!”.

Haddad afirma que a foto da camisa foi uma “coincidência”. “Sabia que eu estava mesmo lendo aquele livro com a camisa rosa? Daí resolvi postar. Nas redes temos que ser espontâneos”, pregou.

O ex-ministro e ex-prefeito mostra, nas mídias sociais, a mesma memória para números que exibia como gestor público. “O primeiro post [sobre o ‘lixo marxista’] teve menos interação. Da camisa foram mais de 420 mil likes”, comemorou.

Oposição
Para Haddad, a participação mais intensa nas redes deve ser utilizada para fortalecer o papel da oposição. “A oposição tem que falar mais e explicar mais que a situação. A situação, como o próprio nome indica, fala pelo governo. Se a vida tá melhorando ou piorando, isso fala pelo governo sem ele precisar dizer nada”, avaliou.

Dessa forma, é de se esperar que o ex-candidato continue usando as novas mídias nos próximos meses ou anos. “Como cidadão, vou estar sempre falando com as pessoas, que é o que eu sempre fiz”, afirmou.

Povo começou a se libertar do socialismo: salário mínimo previsto de R$ 1006,00 foi fixado em R$ 998,00. Sem coitadismo. Selva!

Ministério do Agronegócio cuidará de reforma agrária e da demarcação de terras indígenas e quilombolas. Vamos torcer para dar certo.

As duas mensagens acima, postadas na quarta-feira (2/1), tiveram grande repercussão entre os seguidores de Haddad. O texto sobre o salário mínimo ganhou mais de 60 mil curtidas, 16 mil retuítes e 4,5 mil comentários, número bem superior às mensagens formais do petista.

Marca que também foi alcançada em novembro, quando ele já desenhava a face brincalhona ao “incorporar” o fã de seriados e comparar as produções ao que chamou de “bozoaflições” contemporâneas:

Depois de Black Mirror, The Handmaid’s Tale é das distopias que mais dialoga com as bozoaflições contemporâneas. Vale a pena. A trilha sonora é muito boa. Nada comparável a Peaky Blinders, mas de muito bom gosto.

Presidente Jair Bolsonaro. Desejo-lhe sucesso. Nosso país merece o melhor. Escrevo essa mensagem, hoje, de coração leve, com sinceridade, para que ela estimule o melhor de todos nós. Boa sorte!

Ministros vão na onda
Integrantes do governo Bolsonaro entraram na onda do presidente e também criaram contas e passaram a fazer anúncios recorrentes pelo Twitter. O modelo de fazer anúncios e medidas gerenciais é adotado há um bom tempo pelo presidente norte-americano, Donald Trump e, no Brasil, ganhou novos adeptos entre os indicados pelo militar da reserva.

A lista vai desde o vice-presidente, o general Hamilton Mourão, até o novo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. A popularidade desses integrantes está em alta no microblog norte-americano criado há 12 anos.

Adeptos das redes sociais, Bolsonaro e Haddad devem travar batalhas e trocar farpas até as próximas eleições

Avesso a debates durante a campanha que o elegeu, Bolsonaro virou alvo e também atacou Haddad nas redes sociais. Os então candidatos trocaram inúmeras farpas na corrida ao Planalto.

O petista acusou o adversário de ser um “deputado da mentira”. Enquanto isso, o capitão reformado do Exército Brasileiro chamava o adversário de “fantoche de corrupto”.

Fernando Haddad foi lançado como candidato do PT às eleições presidenciais após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) barrar o nome de Luiz Inácio Lula da Silva, até então líder das pesquisas. O ex-prefeito de São Paulo, no entanto, não foi capaz de superar o fenômeno Jair Bolsonaro e acabou derrotado nas urnas: 57.796.986 milhões de brasileiros confiaram o governo do Brasil ao militar da reserva, enquanto 47.038.963 apostaram no petista.

Além das urnas, Haddad também perde para Bolsonaro no quesito popularidade: tem 1,09 milhão de seguidores no Twitter, contra 2,81 milhões do presidente.

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Jornalista - Diretor de TV - Editor - Câmera -

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