Lula enfrenta protesto pelo 3º dia e diz ser alvo de ódio

Lula enfrenta protesto pelo 3º dia e diz ser alvo de ódio
Ex-presidente listou os casos de preconceito sofrido ao longo de sua trajetória, entre eles o analfabetismo

8:12 | 2018MAR22 - Folhapress /  Rio Grande do Sul 

Enfrentando protestos pelo terceiro dia consecutivo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu, nessa quarta-feira (21), que seus opositores ponham a mão na consciência e comparem as conquistas dos governos petistas com as de seus antecessores e do governo Temer.

“Vão mandar para nós um pedido de desculpas por tanta grosseria e tanta falta de respeito”, discursou.

No auditório do Instituto Federal Farroupilha, campus São Vicente do Sul (RS), Lula disse que Deus há de iluminar as pessoas que carregam ódio no coração.

“Não pensem que fico nervoso com essa gente gritando, não. Preconceito sempre existiu. Mas o que essa gente tem não é preconceito. É ódio”, disse.

Lula listou os casos de preconceito sofrido ao longo de sua trajetória, entre eles o analfabetismo.

“Já comi o pão que o diabo amassou. Não estou disposto a levar desaforo para casa”, declarou.

Cercado por estudantes, Lula respondeu aos que o acusam de antecipação de campanha, lembrando que São Vicente do Sul tem 8.000 habitantes. “Aqui tem mais gado que gente. E gado não vota”.

Lula afirmou que, com a caravana, pretende conhecer o país que espera voltar a governar e alertar os brasileiros para perdas sociais em curso: “Com meu curso de torneiro mecânico, eu tinha mais chance de empregos que vocês”.

MANIFESTANTES

O ex-presidente foi recepcionado por manifestantes às portas do Instituto Federal Farroupilha.

Além dos ruralistas que estacionaram diante do portão, alunos da instituição também se prepararam para protestar dentro do campus.

Antes de deixar o município de Santa Maria com destino a São Vicente do Sul, Lula disse, em entrevista a uma rádio, que não entende o motivo de tanto ódio.

Mais uma vez ele atribuiu as manifestações à política social adotada durante seu governo.

“Não se enganem com aqueles que, de dia, vestem verde e amarelo e, à noite, vão fazer compras em Miami, em vez de ir ao supermercado de Santa Maria”.

Na véspera, Lula chamou os grandes fazendeiros de ingratos por terem sido beneficiados com financiamentos para compras de tratores e caminhonetes, mas só falarem mal do PT.

Organizador do protesto da manhã desta quarta, o produtor rural Fábio Marchezan dos Santos, de 43 anos, diz que o dinheiro foi liberado no governo Lula, mas o projeto é de seu antecessor (FHC).

Ele explica que o ato foi planejado por um grupo de produtores rurais também patrocinados por comerciantes locais.

Sustentado por um guindaste, um boneco gigante de Lula inflável (pixuleco) foi colocado à frente do instituto.

No alto-falante, um manifestante disse que o governo petista desmoralizou a polícia, que não pode mais matar bandidos.

A região Sul, escolhida para a quarta etapa da caravana, é onde o ex-presidente tem menos apoio.

Segundo pesquisa Datafolha feita no fim de janeiro, 23% dos eleitores da região manifestaram intenção de votar no petista, contra 41% no Norte e 56% no Nordeste, por exemplo.

Conscientes do grau de hostilidade ao partido na região, petistas chegaram a questionar a oportunidade da passagem pelo Sul, mas Lula insistiu em ir.

O plano inicial é de, durante dez dias, Lula percorrer os três estados da região, totalizando 2.700 km.

Além de visitas a universidades, a agenda tem como ponto forte a visita ao mausoléu de Getúlio Vargas, em São Borja.

No primeiro dia de caravana, na segunda, Lula foi obrigado a fazer alterações em seu roteiro ao também enfrentar protestos em sua chegada à cidade de Bagé (RS).

O ex-presidente disse à ocasião que saiu triste da cidade, após ruralistas e simpatizantes do pré-candidato Jair Bolsonaro (PSL) usarem caminhões e tratores para bloquear acesso da comitiva. Com informações da Folhapress.

Os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) marcaram para esta terça-feira (20) uma reunião para discutir o impasse em torno da prisão após condenação em segunda instância. Segundo a presidente da corte, ministra Cármen Lúcia, a reunião foi marcada a pedido do decano, Celso de Mello. O tema interessa ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado pela segunda instância da Justiça Federal em janeiro por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá (SP). Em 2016, por 6 votos a 5, a maioria dos ministros passou a autorizar a execução provisória da pena, antes de esgotados os recursos nos tribunais superiores. Duas ações que tratam da constitucionalidade dessa medida foram liberadas em dezembro pelo relator, Marco Aurélio, para serem julgadas no plenário, mas estão fora da pauta elaborada por Cármen Lúcia. Em entrevista à Rádio Itatiaia, de Minas, nesta segunda-feira (19), a presidente disse que a reunião desta terça foi solicitada pelo decano. "O que tem de concreto é que o ministro Celso de Mello me disse que seria conveniente nós conversarmos. Não é nem reunião formal, não fui eu que convoquei, mas é comum a conversa acontecer." À noite, em entrevista transmitida pelo Jornal Nacional, da TV Globo, Cármen Lúcia reafirmou que não vai ceder e não vai pautar as ações que tratam do assunto. Uma ala dos ministros quer que a questão seja julgada logo. Integrantes dessa ala dizem acreditar que há maioria para mudar o entendimento vigente a fim de que a prisão só possa ser decretada após julgamento de recurso pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), a terceira instância da Justiça, nos moldes do defendido por Dias Toffoli. As opções da defesa de Lula para evitar eventual prisão estão em duas ADCs (ações declaratórias de constitucionalidade), que tratam da prisão em segundo grau de forma genérica, ou no pedido de habeas corpus preventivo. O relator do habeas corpus, ministro Edson Fachin, já negou o pedido liminarmente, e decidiu que seu mérito deverá ser analisado pelo plenário (composto pelos 11 ministros), e não pela Segunda Turma (formada por cinco). Cármen Lúcia disse à Rádio Itatiaia que o julgamento do habeas corpus pelo plenário independe de ela colocá-lo na pauta, e que cabe a Fachin levá-lo "em mesa" -no jargão do STF, levar em mesa é pedir para que seja votado. Somente o relator pode levar em mesa o habeas corpus. Já as ADCs tiveram embargos declaratórios (um tipo de recurso) apresentados na semana passada pelo Instituto Ibero Americano de Direito Público contra uma decisão liminar do plenário que negou um pedido para suspender as prisões antecipadas. Como os embargos declaratórios questionam um acórdão do plenário, eles precisam ser julgados pelos 11 ministros -o que é visto como uma chance para reabrir a discussão sobre o tema. De acordo com o relator das ADCs, Marco Aurélio, não cabe a ele levar esses embargos ao plenário, pois seu voto foi vencido na ocasião do julgamento da liminar. Caberia ao redator do acórdão, Fachin, que deu o voto vencedor. Procurado, o gabinete de Fachin informou que ele está analisando a matéria. Uma terceira opção para a defesa é algum ministro apresentar a Cármen Lúcia uma questão de ordem, durante a sessão, argumentando sobre a conveniência de julgar as ações. O regimento permite que qualquer integrante da corte faça esse movimento. Com informações da Folhapress.

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Jornalista - Diretor de TV - Editor -Cinegrafista - MTB: 44493-SP

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