Dispositivo barato permite análise de biomarcadores de função renal

Dispositivo barato permite análise de biomarcadores de função renal
Pesquisa desenvolvida no IQ/Unesp de Araraquara foi premiada pela Royal Society of Chemistry

07DEZ2016|
José Angelo Santilli

Uma nova metodologia colorimétrica simples, rápida, portátil, precisa, não invasiva e ambientalmente amigável para análise simultânea de creatinina e ácido úrico em urina foi desenvolvida no Instituto de Química da Unesp, campus de Araraquara.  Cada dispositivo analítico microfluídico em papel pode ser fabricado ao custo de 1 centavo, ou seja, praticamente a custo zero.

A inovação facilita o monitoramento do funcionamento dos rins – não requer operador especializado -, permitindo que qualquer pessoa em qualquer rincão do país faça a análise de ácido úrico e creatinina na urina, com eficiência e precisão equivalentes aos métodos convencionais em uso. O trabalho de Eduardo Luiz Rossini, aluno de pós-graduação em Química, foi orientado pelos professores do IQ/Unesp, Helena Redigolo Pezza e Leonardo Pezza, com financiamento da Fapesp.

Os rins têm funções que podem ser classificadas como excretora, reguladora e endócrina. Quando os rins perdem a sua função caracteriza-se a insuficiência renal, podendo ser aguda ou crônica. A insuficiência renal crônica (IRC) é um problema importante de saúde pública, sua incidência tem aumentado de maneira acelerada nas últimas décadas e o tratamento é a hemodiálise que é um procedimento de alto custo e complexidade.  “A IRC é uma doença silenciosa que não causa sintomas, sendo que a única forma de saber se os rins estão funcionando é através da dosagem de biomarcadores. Assim, a determinação de creatinina e ácido úrico em urina pode fornecer informações importantes sobre a função renal”, explica a professora Helena.

Denominado “Determinação simultânea de ácido úrico e creatinina utilizando dispositivo analítico microfluídico em papel com detecção por imagem digital”, o trabalho foi premiado pela Royal Society of Chemistry na área de bioanalítica durante um workshop sobre microfluídica realizado em julho 2015 em Campinas.

O pequeno dispositivo com detecção por imagem digital, medindo 2 cm por 2 cm, com barreiras hidrofóbicas em papel de filtro foi produzido com o auxílio de uma impressora à cera. Com uma gota de urina colocada no dispositivo e o desenvolvimento de reações com produtos de colorações distintas indica, simultaneamente, a dosagem dos dois biomarcadores. Os resultados da análise podem ser obtidos por meio de um aplicativo em smartphone ou em uma palheta de cores impressa em papel com as respectivas referências de acordo com a intensidade da cor.

Análises clínicas

Trata-se de um dispositivo de grande importância para análises clínicas. “A creatinina é proveniente da reação não enzimática de desidratação da creatina ou da desfosforilação da fosfocreatina durante o processo de contração muscular; sua concentração é utilizada como marcador clínico para avaliar a função renal. A reação de Jaffé é a metodologia mais utilizada por ser simples, rápida, barata e de fácil execução. Através dessa reação, o picrato alcalino reage com a creatinina produzindo um produto de coloração alaranjada. O ácido úrico é formado a partir do metabolismo das bases purínicas, por ser um composto pouco solúvel, sua deposição nas juntas das extremidades ou em outros tecidos moles gera o caso clínico conhecido como gota. O ácido úrico tem capacidade de reduzir íons Fe (III) a Fe (II) e este pode ser determinado pela reação colorimétrica com 1,10–fenantrolina”, explica Rossini.

O trabalho contribui com o desenvolvimento de dispositivos analíticos microfluídicos em papel, os quais apresentam diversas vantagens, dentre elas o baixo custo, fácil obtenção, portabilidade, é compatível com amostras biológicas, requerem pequeno volume de amostra, biodegradável, de fácil incineração e ambientalmente amigável. “Essas vantagens, aliadas à possibilidade de integrar diversos procedimentos analíticos no mesmo dispositivo aumentam o interesse no desenvolvimento de novas metodologias”, afirma Rossini, que está finalizando um artigo para ser submetido à publicação em revista científica.

Foto: Laércio Peres- IQ/Unesp
Contato: Leonardo Pezza

About Beto Fortunato
Jornalista - Diretor de TV - Editor -Cinegrafista - MTB: 44493-SP

Beto Fortunato

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